Fisioterapeuta pelotense leva tratamento especializado e domiciliar para o interior

Em parceria com a Prefeitura de Cerrito, pelotense realiza tratamentos em feridas crônicas pela rede pública de saúde. (Foto: Divulgação)

Pacientes de Cerrito que conviviam há anos com feridas crônicas passaram a ter acesso a um tratamento especializado por meio de uma parceria entre a Prefeitura e o fisioterapeuta Ícaro Islabão, natural de Pelotas. Implantado para atender moradores da zona rural, o projeto oferece assistência gratuita às pessoas acamadas e com lesões recorrentes.

Islabão conta que escolheu morar no interior da região há quatro anos para desenvolver sua vocação de cuidar dos moradores do meio rural. Ao longo do tempo, o fisioterapeuta percebeu a dificuldade de acesso das pessoas que vivem no local até as Unidades Básicas de Saúde (UBS). “Notei a necessidade e procurei me informar se as equipes estavam dando conta e, assim, me ofereci para fazer parte dos serviços de saúde, onde fui sempre muito bem recebido, inclusive pela enfermeira Nara Menaré, que me escutou e orientou como poderíamos abordar clinicamente a situação, junto à Secretaria de Saúde do município”, esclarece.

Para auxiliar quem mais necessita, Islabão utiliza diversas técnicas, que varia conforme o caso de cada paciente. “Cada um recebe um protocolo específico de acordo com a necessidade clínica, com o uso de laserterapia e, em alguns casos, ozonioterapia”, reforça. Para ele, os resultados obtidos com os atendimentos têm sido satisfatórios, pois devolvem qualidade de vida aos enfermos. “Já conseguimos fechar muitas feridas, inclusive casos bastante delicados. Tratamos pacientes com úlceras varicosas, lesões por pressão, feridas causadas por acidentes com serpentes e reabilitação de pacientes diabéticos após cirurgias”, relembra.

Ampliação de atendimentos

Conforme a enfermeira Nara, que também é coordenadora da Atenção Primária à Saúde, o projeto contempla uma demanda expressiva da cidade, que encontrava dificuldades para atender e resolver todas as situações. “Ele nos apresentou o projeto e a vontade de desenvolver esse trabalho. A partir daí começamos as conversas para estruturar o serviço, definir quem seria atendido e de que forma esses pacientes seriam acompanhados. Existia essa preocupação por parte do município e ele chegou nos mostrando uma solução, um caminho para enfrentar esse problema. Hoje, a maioria dos pacientes deixou de precisar de curativos permanentes”, pontua.

A prioridade, segundo ela, sempre foi alcançar pacientes que enfrentavam, além das dificuldades de acesso aos serviços, feridas crônicas. Foi nesse cenário que surgiu a parceria com o fisioterapeuta. Enquanto a rede municipal realiza os atendimentos básicos, ele presta o tratamento especializado, custeado pela Prefeitura. “Como a Prefeitura custeia o meu trabalho, podemos dizer que tanto o tratamento básico como o especializado é fornecido ao paciente de forma gratuita”, diz o fisioterapeuta.

De acordo com Nara, atualmente, não existe um número fixo de pacientes atendidos. “O contrato prevê a realização de 50 procedimentos por mês. Os enfermos são encaminhados pelos médicos para a regulação. Depois disso, o fisioterapeuta avalia cada caso, visita o paciente e define as prioridades e frequência conforme a gravidade da lesão”, esclarece.

Resultados contribuem para mudar vidas

Para Nara, o projeto pode transformar a realidade de quem lida há tanto tempo com os ferimentos e, assim, tem sua rotina impactada. “Quando a ferida cicatriza, melhora a qualidade de vida do paciente, diminuem as consultas, reduzimos os gastos do município com materiais para curativos e, principalmente, devolvemos dignidade para essas pessoas”, ressalta.

No caso de Elmar Kurz, de 46 anos, o tratamento fez total diferença, sendo eficaz para a cicatrização de úlceras nas pernas. “Procurei o projeto por necessidade. Fui muito bem atendido e obtive excelentes resultados. Realizei tratamento com laser nas úlceras varicosas das duas pernas. As duas apresentavam feridas abertas e a minha situação era bastante delicada. O tratamento ajudou para que as lesões se cicatrizassem completamente”, conta.

Conforme ele, seguir as orientações do profissional foi fundamental para a evolução do problema. “Logo no início já foi possível perceber a melhora visual das feridas”, relembra. Ele afirma que o atendimento foi importante não só para ele, mas também para sua família, que o auxiliou em meio aos desafios decorrentes das feridas.

Aumentar público é meta

De acordo com Nara, o atendimento começou na zona rural e, hoje, também contempla pacientes da área urbana. Já a fisioterapia motora continua sendo realizada somente com pacientes acamados da zona rural. Sendo um projeto cada vez mais presente na cidade, Islabão destaca alguns planos para o futuro do seu trabalho. “Estamos ampliando a agenda para reduzir a fila de espera. O deslocamento até o meio rural e as condições climáticas influenciam bastante, mas fazem parte da proposta do programa”, finaliza.

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