
A audiência pública que discutirá a fila de espera para exames de colonoscopia pelo Sistema Único de Saúde (SUS), inicialmente marcada para 24 de julho, foi transferida para o dia 14 de agosto, às 14h, na Câmara de Vereadores de Pelotas. O encontro, proposto pela Associação dos Ostomizados, Familiares e Amigos (Assofam), também abordará a necessidade de banheiros adaptados e ações de conscientização sobre o câncer colorretal.
A Assofam afirma que buscou apoio dos vereadores Carlos Júnior (PSD) e Tauã Ney (PSDB) para debater a situação dos cerca de sete mil pacientes que aguardam pelo exame na região.
Segundo o líder comunitário e ativista social Vicente Amaral, o tempo de espera precisa ser discutido com urgência. “O mais grave é que quem entrou nessa fila provavelmente já não está mais vivo. O câncer não espera sete anos por um exame. Muitas dessas pessoas tinham o mesmo sintoma, mas outras doenças. Já aquelas que realmente estavam com câncer acabaram morrendo porque não conseguiram o diagnóstico a tempo”, afirma.
O presidente da Assofam, Luís Carlos Daonis, destaca que a colonoscopia é fundamental para a prevenção do câncer colorretal. “Esse exame salva vidas. Quando ele detecta um pólipo no início e ele é retirado, muitas vezes a pessoa nem chega a desenvolver o câncer. O governo gasta muito mais depois com cirurgias, tratamentos e bolsas para ostomizados do que gastaria investindo no exame”, detalha.
Durante a audiência, a entidade também pretende discutir as condições enfrentadas pelas pessoas ostomizadas. Amaral critica a quantidade de bolsas fornecidas pelo poder público. “É um absurdo. É como entregar um único rolo de papel higiênico para alguém usar durante um mês. A bolsa pode encher, descolar ou romper a qualquer momento. Essas pessoas deixam de viajar, de trabalhar, de participar de eventos e até de fazer compras porque não encontram banheiros adaptados”, diz.
A Associação defende a ampliação da rede de banheiros adaptados no município. Segundo Daonis, já há recursos garantidos para a construção de duas unidades, uma na Rodoviária e outra no Mercado Central, mas outros locais da cidade ainda necessitam dessa estrutura.
A Assofam também reivindica mais campanhas de conscientização sobre o câncer colorretal. “Todo mundo sabe o que é o Outubro Rosa e o Novembro Azul, mas quase ninguém conhece o Novembro Verde. O câncer colorretal mata mais do que o câncer de próstata e o câncer de mama porque acomete homens e mulheres”.
Outra demanda da entidade é a criação de uma sede própria. Atualmente, a Associação funciona em uma sala cedida na Rodoviária de Pelotas. “Muita gente vem do interior para fazer exames e consultas no município, passa o dia inteiro esperando o transporte de volta, sem dinheiro para comer e sem um lugar para descansar”, finaliza.



