Baronesas da Fenadoce levam a tradição doceira de Pelotas para além da Feira

Representantes da 32ª Fenadoce afirmam que papel da corte vai além da beleza e destacam a responsabilidade de preservar e divulgar a história da cultura doceira pelotense. (Foto: Rafael Takaki)

Representar a Fenadoce significa le­var consigo uma das principais marcas da identidade cultural de Pelotas. Para as Baronesas da 32ª edição da Feira — Andressa Gonçalves Tejada, de 19 anos, Érika Frank Maciel, de 28 anos, e Sarah Chagas Matos dos Santos, de 20 anos, todas moradoras de Pelotas —, o título é também a responsabilidade de preservar e divulgar uma tradição que atravessa gerações. “Representa levar e transparecer a força da nossa tradi­ção e cultura doceira, através de toda a história da nossa Feira”, resumem.

Além da agenda de eventos e ações de divulgação, as integrantes da corte passaram por uma preparação que en­volveu o estudo da história da cidade, da Fenadoce e da tradição doceira.

Segundo elas, o processo revelou aspectos pouco conhecidos até mes­mo por quem nasceu em Pelotas. “São muitas descobertas, justamente por­que Pelotas é rica em sua história. Fi­camos encantadas em saber mais so­bre como iniciou a produção doceira, as tradições que existiam antigamente e como isso se reflete até hoje, preser­vando essa história”, comentam.

A preparação começou ainda no período de inscrições para o concur­so. “A partir disso, começamos a estu­dar mais a fundo e nos preparar, cada uma à sua maneira, e no fim deu tudo certo”, contam.

Economia em movimento

Para as Baronesas, a Fenadoce vai muito além da venda de doces. A Feira movimenta diversos setores da econo­mia e beneficia comerciantes de den­tro e de fora do Centro de Eventos. “A Feira é deveras importante para a ro­tatividade da comercialização local e para a valorização do comerciante pelotense e até mesmo de fora. É um marco importante na economia de Pe­lotas”, destacam.

Segundo elas, esse impacto é per­cebido até por estabelecimentos que não participam diretamente da Feira. “Temos recebido relatos de restauran­tes fora do evento dizendo que o me­lhor movimento do ano acontece du­rante a Fenadoce”, afirmam.

O contato diário com doceiras, ex­positores e comerciantes também mu­dou a percepção da corte sobre a di­mensão da Feira. Entre os relatos que mais as emocionam estão os de famí­lias que participam da Fenadoce há dé­cadas. “Sem dúvida, ouvir há quantos anos cada expositor participa da Feira e saber que há famílias que estão há três, quatro ou cinco gerações traba­lhando para fazer nossa economia gi­rar”, relatam.

Elas afirmam que a receptividade dos expositores também marcou a experiência. “Quando ouvimos um ‘que corte simpática’, sabemos que estamos ali para transformar também a Feira deles, não apenas a experiência dos visitantes. Somos todos uma grande família”, ressaltam.

“Nunca é apenas um doce”

Receber turistas de diferentes par­tes do Estado e do país também faz parte da rotina da corte. Segundo as Baronesas, um dos aspectos que mais chama a atenção dos visitantes é per­ceber que os doces carregam uma história muito maior do que a receita. “Recebemos muitos elogios pelo sa­bor dos doces e pelo acolhimento das pessoas. Como uma senhora nos dis­se no ano passado: ‘Nunca é apenas um doce’. E realmente nunca é ape­nas um doce; é uma experiência que fica”, recordam.

Entre os diversos doces tradicio­nais de Pelotas, um ocupa um lugar especial na memória das três repre­sentantes: o quindim. “O quindim nor­malmente tem um significado especial, principalmente pela infância, porque está na casa de quase todos os pelo­tenses. Faz parte das nossas lembran­ças em família e, por isso, também está em nosso coração”, explicam.

Ao representar a Fenadoce em eventos pelo Rio Grande do Sul, as Ba­ronesas dizem que procuram mostrar uma cidade que preserva suas raízes. “Sempre levamos o lado da cultura e da tradição de Pelotas, mostrando que nossa geração não perdeu esses traços tão importantes”, pontuam.

Na avaliação delas, o futuro da tra­dição doceira depende diretamente do envolvimento das novas gerações. “Hoje o mundo valoriza muito a tecnologia, e aquilo que é nosso acaba se perdendo. A cultura, a tradição e as histórias são um legado que marcou gerações e precisam continuar sendo valorizados”, avaliam.

Uma experiência para a vida

Desde que assumiram a corte, as três afirmam que passaram a enxer­gar a Fenadoce de outra forma. “Ago­ra a Feira não será apenas a Fenadoce para nós. Será o lugar que nos acolheu, abriu portas e nos permitiu represen­tar um sonho”, destacam.

O momento mais marcante da tra­jetória, segundo elas, continua sendo o anúncio do resultado do concurso que definiu a corte. “Antes mesmo da Fei­ra iniciar, o desfile em que ganhamos o concurso foi um momento que leva­remos para a vida”, relembram.

Se precisassem resumir a Fenado­ce em apenas uma palavra, a escolha seria unânime: família. “Desde peque­nas visitávamos a Feira e nos sentía­mos em casa. São momentos que fica­rão para sempre em nossas memórias e em nossos corações”, concluem.

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