
Representar a Fenadoce significa levar consigo uma das principais marcas da identidade cultural de Pelotas. Para as Baronesas da 32ª edição da Feira — Andressa Gonçalves Tejada, de 19 anos, Érika Frank Maciel, de 28 anos, e Sarah Chagas Matos dos Santos, de 20 anos, todas moradoras de Pelotas —, o título é também a responsabilidade de preservar e divulgar uma tradição que atravessa gerações. “Representa levar e transparecer a força da nossa tradição e cultura doceira, através de toda a história da nossa Feira”, resumem.
Além da agenda de eventos e ações de divulgação, as integrantes da corte passaram por uma preparação que envolveu o estudo da história da cidade, da Fenadoce e da tradição doceira.
Segundo elas, o processo revelou aspectos pouco conhecidos até mesmo por quem nasceu em Pelotas. “São muitas descobertas, justamente porque Pelotas é rica em sua história. Ficamos encantadas em saber mais sobre como iniciou a produção doceira, as tradições que existiam antigamente e como isso se reflete até hoje, preservando essa história”, comentam.
A preparação começou ainda no período de inscrições para o concurso. “A partir disso, começamos a estudar mais a fundo e nos preparar, cada uma à sua maneira, e no fim deu tudo certo”, contam.
Economia em movimento
Para as Baronesas, a Fenadoce vai muito além da venda de doces. A Feira movimenta diversos setores da economia e beneficia comerciantes de dentro e de fora do Centro de Eventos. “A Feira é deveras importante para a rotatividade da comercialização local e para a valorização do comerciante pelotense e até mesmo de fora. É um marco importante na economia de Pelotas”, destacam.
Segundo elas, esse impacto é percebido até por estabelecimentos que não participam diretamente da Feira. “Temos recebido relatos de restaurantes fora do evento dizendo que o melhor movimento do ano acontece durante a Fenadoce”, afirmam.
O contato diário com doceiras, expositores e comerciantes também mudou a percepção da corte sobre a dimensão da Feira. Entre os relatos que mais as emocionam estão os de famílias que participam da Fenadoce há décadas. “Sem dúvida, ouvir há quantos anos cada expositor participa da Feira e saber que há famílias que estão há três, quatro ou cinco gerações trabalhando para fazer nossa economia girar”, relatam.
Elas afirmam que a receptividade dos expositores também marcou a experiência. “Quando ouvimos um ‘que corte simpática’, sabemos que estamos ali para transformar também a Feira deles, não apenas a experiência dos visitantes. Somos todos uma grande família”, ressaltam.
“Nunca é apenas um doce”
Receber turistas de diferentes partes do Estado e do país também faz parte da rotina da corte. Segundo as Baronesas, um dos aspectos que mais chama a atenção dos visitantes é perceber que os doces carregam uma história muito maior do que a receita. “Recebemos muitos elogios pelo sabor dos doces e pelo acolhimento das pessoas. Como uma senhora nos disse no ano passado: ‘Nunca é apenas um doce’. E realmente nunca é apenas um doce; é uma experiência que fica”, recordam.
Entre os diversos doces tradicionais de Pelotas, um ocupa um lugar especial na memória das três representantes: o quindim. “O quindim normalmente tem um significado especial, principalmente pela infância, porque está na casa de quase todos os pelotenses. Faz parte das nossas lembranças em família e, por isso, também está em nosso coração”, explicam.
Ao representar a Fenadoce em eventos pelo Rio Grande do Sul, as Baronesas dizem que procuram mostrar uma cidade que preserva suas raízes. “Sempre levamos o lado da cultura e da tradição de Pelotas, mostrando que nossa geração não perdeu esses traços tão importantes”, pontuam.
Na avaliação delas, o futuro da tradição doceira depende diretamente do envolvimento das novas gerações. “Hoje o mundo valoriza muito a tecnologia, e aquilo que é nosso acaba se perdendo. A cultura, a tradição e as histórias são um legado que marcou gerações e precisam continuar sendo valorizados”, avaliam.
Uma experiência para a vida
Desde que assumiram a corte, as três afirmam que passaram a enxergar a Fenadoce de outra forma. “Agora a Feira não será apenas a Fenadoce para nós. Será o lugar que nos acolheu, abriu portas e nos permitiu representar um sonho”, destacam.
O momento mais marcante da trajetória, segundo elas, continua sendo o anúncio do resultado do concurso que definiu a corte. “Antes mesmo da Feira iniciar, o desfile em que ganhamos o concurso foi um momento que levaremos para a vida”, relembram.
Se precisassem resumir a Fenadoce em apenas uma palavra, a escolha seria unânime: família. “Desde pequenas visitávamos a Feira e nos sentíamos em casa. São momentos que ficarão para sempre em nossas memórias e em nossos corações”, concluem.



