Agricultora torna propriedade referência em agroecologia há mais de três décadas em Canguçu

Beatriz Sturbelle Schiavon dedica-se à produção agroecológica há 35 anos. (Foto: Divulgação)

Há 35 anos, a agricultora Beatriz Sturbelle Schiavon dedica-se à produção agroecológica na localidade de Coxilha dos Campos, no 1º Distrito de Canguçu. Ao lado do esposo, Mário Schiavon, e dos cinco filhos, ela produz e comercializa hortifrúti, produtos coloniais, panificados, doces, bebidas artesanais, flores e mudas. Com a evolução da tecnologia e as mudanças provocadas pela pandemia, adaptou a comercialização ao ambiente on-line, mantendo o vínculo com os clientes e ampliando a praticidade das vendas.

Antes, Beatriz participava de feiras orgânicas presenciais. Com o passar dos anos, especialmente durante a pandemia, adaptou o trabalho para o ambiente digital. Atualmente, reúne os produtos disponíveis em uma lista compartilhada com os clientes por meio de um grupo de WhatsApp e realiza as entregas nas residências todas as terças-feiras.

“Sempre gostei muito desse serviço, do trabalho com feiras, mas sempre tive o apoio da família, dos filhos, do marido. Quando eles podem, eles me ajudam.”

Relacionamento com os clientes

Com uma rotina intensa, a produtora afirma que as vendas pelas redes sociais facilitam o trabalho, evitam sobras de produtos e ainda garantem mais comodidade aos clientes, que recebem as encomendas em casa. Além da comercialização, ela destaca que a convivência com os consumidores é um dos aspectos que mais valoriza na profissão.

“Essa troca de experiências de uma pessoa pra outra é excelente. Eu não tenho como viver isolada, só com a minha família. Mas, (sim) com a família de todas as pessoas, de todos, principalmente dos clientes, das pessoas que convivo semanalmente e até diariamente”, define.

Ela também lembra com carinho da relação construída entre quem produz e quem consome.

“A amizade e saber que tu produz um produto saudável é excelente. Esse vínculo entre família produtora e família consumidora é muito bom.”

União da família

O início da produção agroecológica também exigiu adaptação e dedicação da família. Com o passar dos anos, os cinco filhos cresceram e passaram a ajudar na propriedade. Hoje, eles estudam ou já concluíram a formação. Mesmo depois de mais de três décadas de trabalho, Beatriz continua encontrando motivos para seguir na atividade.

“Eu tenho certeza que me orgulho muito do que eu faço. Às vezes tô cansada, tô estressada, tem horas que penso em parar. Às vezes os guris: ‘Para um pouco, mãe, de trabalhar’. Esse trabalho, pra mim, é muito bom, faz esquecer outros problemas que aparecem. Me distrai, traz felicidade, traz alegria e traz vontade de seguir em frente sempre. Quero ter saúde para poder sempre ser o que sou e fazer o que faço. Produzir produtos saudáveis e ter essa amizade com as pessoas”, conta.

Para Beatriz, o diálogo sempre foi fundamental para conciliar a vida familiar e o trabalho na propriedade.

“Nossa família sempre foi uma família que conversou, dialogou muito, sempre se deu bem. Sempre debatia assuntos sobre trabalho, sobre a vida. Então, em cima disso, a gente constrói a vida, a família, o trabalho, o dia a dia. Até isso nos ajuda. A gente corre, corre, mas tem uma hora que a gente para, conversa, pensa, reflete. Vê o que tá certo, o que tá errado. Tenta corrigir o que tá errado e continuar o que tá certo.”

Referência em agroecologia

Além dos clientes, a propriedade também recebe com frequência agricultores e técnicos. As visitas proporcionam a troca de experiências entre produtores. Parte da produção ainda é destinada a projetos e entidades, para que os alimentos cheguem a famílias em situação de vulnerabilidade.

“Acima de tudo, devemos preservar a natureza. Tentar voltar ao que era no começo e o importante não é só consumir pra família os produtos saudáveis. Mas, para todos que quiserem adquirir os produtos da gente, produtos agroecológicos. Tenho certeza que vai trazer saúde, alegria e disposição”, defende.

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