Parece uma redundância, mas quem não gosta de ter a posse do controle remoto da televisão? É uma verdadeira briga para conseguir esse monopólio na minha, na sua, na casa de todos. Exceção lógica é o caso de quem vive sozinho. No entanto, a regra geral é a de disputar o controle.
E controle é muito sério. É assunto que não cabe numa só página. Principalmente, quando se trata de falar a respeito dos que querem exercer algum tipo de controle sobre alguém, sobre as coisas, sobre os fatos, sobre a vida.
E como isso é comum! Muito mais do que se possa supor. Basta dar uma olhada acurada sobre algumas das relações humanas nesse cotidiano da atualidade.
Foi, exatamente, isso que fiz. Observei alguns comportamentos com bastante cuidado, tentando ser imparcial e constatei que num deles, o personagem nunca responde a uma pergunta perto dela. Ela fala por ele. Ela decide por ele. Ela controla os passos, os gestos, a vida dele. E ele não reclama. Aceita. Ele é um daqueles que gosta de ser controlado. Talvez, porque não tenha a coragem de controlar a própria vida, delegou a tarefa para ela. Concorda e é conivente, pois fica mais fácil, mais simples cumprir metas do que estabelecê-las.
Noutro caso, invertem-se os papéis e a personagem é que se submete aos mandos e desmandos controladores do seu parceiro.
Se me fosse permitido eu lhes advertiria de que nada dura eternamente. Nalgum dia, o jogo pode virar, a mesa pode virar, o barco pode virar. E o controlado dará o grito de independência, sem, é claro, evitar o rótulo de ingrato.
Não se trata de ingratidão. É somente o grito de insubmissão de alguém acomodado que resolveu se desacomodar. E isso acaba acontecendo, inevitavelmente. Sempre se quer ter o controle da própria vida em nossas mãos.
Tudo é questão de despertar como um relógio com tempo previsto e marcado. De repente, o alarme toca e pronto. A rebelião ao controle se desencadeia.
Muitas vezes, nos submetemos as conveniências e nos tornamos prisioneiros, escravos de uma situação aparentemente confortável.
Aos primeiros sinais de asfixia o prazer cede espaço ao desconforto e daí em diante é uma queda livre.
Conviver é muito mais do que dar e receber. Conviver bem é voar, conforme o vento, sem controle. É saber “viver com”, porque a vida é incontrolável e os sentimentos, mais incontroláveis ainda. Pode-se até tentar controlar as pessoas, mas não se pode controlar o que elas pensam e sentem.
Portanto, é um péssimo hábito determinar de forma impositiva o que o outro deve ou não fazer como se fosse um jogo de “Siga o chefe”. Imprudência é tentar manipular os outros, apertando teclas tais quais as de um controle remoto. Ninguém é aparelho eletrônico, nem possui garantia de uso permanente.




