
A Câmara de Vereadores de Pelotas sediará, no próximo dia 24 de julho, às 14h, uma audiência pública com o objetivo de discutir a situação dos exames de colonoscopia na região, principalmente os cerca de sete mil pacientes que aguardam na fila do Sistema Único de Saúde (SUS). A iniciativa é da Associação dos Ostomizados, Familiares e Amigos (Assofam), que relata ter procurado ajuda dos vereadores Carlos Júnior (PSD) e Tauã Ney (PSDB). Ainda na ocasião, será debatida a necessidade de banheiros adaptados e de conscientização sobre o câncer colorretal.
Segundo o líder comunitário e ativista social Vicente Amaral, o tempo de espera dessas pessoas no SUS precisa ser discutido urgentemente. “O mais grave é que quem entrou nessa fila provavelmente já não está mais vivo. O câncer não espera sete anos por um exame. Muitas dessas pessoas tinham o mesmo sintoma, mas outras doenças. Já aquelas que realmente estavam com câncer acabaram morrendo porque não conseguiram o diagnóstico a tempo”, afirma.
De acordo com Luís Carlos Daonis, presidente da Assofam, a colonoscopia é de extrema importância, atuando como uma espécie de “vacina” e auxiliando a detectar o que poderia vir a se tornar um câncer. “Esse exame salva vidas. Quando ele detecta um pólipo no início e ele é retirado, muitas vezes a pessoa nem chega a desenvolver o câncer. O governo gasta muito mais depois com cirurgias, tratamentos e bolsas para ostomizados do que gastaria investindo no exame”, detalha.
Conscientizar e batalhar
Amaral pontua que, atualmente, o governo fornece apenas oito bolsas por mês para uma pessoa ostomizada. “É um absurdo. É como entregar um único rolo de papel higiênico para alguém usar durante um mês. A bolsa pode encher, descolar ou romper a qualquer momento. Essas pessoas deixam de viajar, de trabalhar, de participar de eventos e até de fazer compras porque não encontram banheiros adaptados”, diz.
Diante disso, conforme a associação, a construção de novos banheiros na cidade é fundamental para garantir autonomia e qualidade de vida aos ostomizados. Segundo Daonis, recursos para a construção de dois banheiros adaptados já foram adquiridos – um na rodoviária e outro no Mercado Central. Todavia, há outros pontos da cidade que carecem desse suporte.
Para que esses objetivos sejam alcançados, segundo Amaral, é imprescindível que haja mais debates e campanhas de conscientização. “Todo mundo sabe o que é o Outubro Rosa e o Novembro Azul, mas quase ninguém conhece o Novembro Verde. O câncer colorretal mata mais do que o câncer de próstata e o câncer de mama porque acomete homens e mulheres”.
Outra necessidade é uma sede própria permanente para a Assofam, já que hoje a entidade conta com uma sala emprestada da rodoviária. Segundo o presidente, a associação quer oferecer um espaço de acolhimento para quem vem fazer esse exame em Pelotas. “Muita gente vem do interior para fazer exames e consultas no município, passa o dia inteiro esperando o transporte de volta, sem dinheiro para comer e sem um lugar para descansar”, finaliza.



