
A falta de motoristas profissionais qualificados tem se tornado um dos principais desafios do setor de transporte no Brasil. Com a redução no número de condutores habilitados nas categorias profissionais, o SEST SENAT lançou uma nova edição do Programa Mais Motoristas, iniciativa que custeia a mudança de categoria da Carteira Nacional de Habilitação (CNH) e oferece capacitação profissional gratuita para quem deseja ingressar na área. Em Pelotas e Rio Grande, as inscrições seguem um calendário com prioridade para mulheres e pessoas inscritas no Cadastro Único (CadÚnico). Para o público geral, elas vão até 14 de julho.
Segundo dados apresentados pelo SEST SENAT, houve uma queda de aproximadamente 20% nas mudanças de categoria da CNH na última década. Ao mesmo tempo, a idade média dos motoristas profissionais ultrapassa os 53 anos e apenas entre 0,5% e 1,5% dos condutores da área são mulheres.
Falta de profissionais
Além da mudança de categoria da CNH, o programa oferece uma formação completa por meio da Escola de Motoristas Profissionais do SEST SENAT. O curso reúne aulas teóricas, prática em simuladores e treinamento veicular, preparando os participantes para a atuação. De acordo com a coordenadora do SEST SENAT em Pelotas, Bárbara Pinzon, a iniciativa busca responder a uma demanda crescente do setor. “Em pesquisas, 65% das empresas relatam dificuldades para contratar motoristas qualificados”, diz.
Ela destaca que a prioridade dada às mulheres e aos inscritos no CadÚnico nesta edição tem um objetivo social e econômico. “Observamos um poder econômico reduzido entre muitas famílias e um número muito pequeno de mulheres na profissão. O projeto tem como objetivo gerar emprego e renda, além de ampliar a participação feminina no transporte”, afirma.
Oportunidades
Um dos principais diferenciais do programa é eliminar a barreira financeira para quem deseja obter uma categoria profissional da CNH. Conforme Bárbara, o investimento para realizar todo o processo de forma particular gira em torno de R$ 3 mil, considerando exames, aulas e demais etapas obrigatórias. Além da mudança de categoria, o participante conclui uma formação profissional com cerca de 107 horas de duração, voltada às exigências do mercado de trabalho.
A professora da rede pública Jeanne Cardozo participou de edições anteriores do Programa e hoje é habilitada na categoria E. “A maior dificuldade era a questão financeira, pois a mudança de categoria exige um investimento significativo. O programa tornou esse sonho possível e me deu a confiança necessária para seguir em frente. Um dos momentos mais marcantes foi dirigir um bitrem na estrada ao lado do instrutor e perceber que eu era capaz. O programa ampliou minhas perspectivas e abriu novas possibilidades para o futuro. Sempre incentivo outras mulheres a participarem. O transporte também é lugar de mulher”, relata.
Outro ex-participante é Crizan Xavier, supervisor de Segurança do Trabalho. Ele conheceu o programa por meio da empresa onde trabalha e afirma que a qualificação abriu novas perspectivas profissionais. Segundo Xavier, o processo de formação proporcionou conhecimentos técnicos sobre direção profissional, segurança e responsabilidade, além de ampliar suas possibilidades de atuação no mercado. Para ele, o principal benefício foi justamente o acesso gratuito à mudança de categoria.



