
Implementada em 2016 pela Universidade Federal de Pelotas (UFPel), vinculada à Faculdade de Medicina da universidade, a “Cuidativa – Centro Regional de Cuidados Paliativos” visa ser um espaço para pacientes que sofrem com doenças crônicas ameaçadoras a vida. Com foco na melhora significativa dos usuários e evolução na sua capacidade funcional, o espaço desenvolve atividades com profissionais de fisioterapia, educação física, nutrição, enfermagem, psicologia e residentes da Medicina de Família e Comunidade.
Segundo a diretora da Faculdade de Medicina e fundadora da Cuidativa, Julieta Fripp, o local conta com espaços exclusivos de fisioterapia, pilates, musculação, terapia ocupacional em atividades individuais ou em grupo, proporcionando alívio nos sofrimentos gerados na finitude da vida, em dimensão física, emocional, social e espiritual.
De acordo com a médica, a Cuidativa atende usuários do Sistema Único de Saúde (SUS). Atualmente, o Programa 60+ foi implementado com a finalidade de atender pessoas com mais de 60 anos de idade que possuam diagnóstico de fragilidade e demência. “Desde o início das atividades na Cuidativa nós atendemos um contingente grande de pessoas. A meta é atender pelo menos 80 consultas médicas mensalmente, cerca de 1.200 atendimentos multiprofissionais por mês”, conta.

Os pacientes são encaminhados por meio da Atenção Primária à Saúde (APS), de acordo com Katherine Rollo, fisioterapeuta da clínica. Ela explica que os idosos do Programa 60+ precisam passar por triagem e avaliações. Registrando pontuação igual ou superior a 15 é reconhecido o indicativo da necessidade de reabilitação do paciente. Conforme a fisioterapeuta, as vagas são destinadas para idosos com suspeita de demência ou fragilidade. “Ele é um programa de passagem, não de permanência. Foi idealizado para fazer esse desafogo das especialidades que, na maioria das vezes, não se encontram nas Unidades Básicas de Saúde (UBS), como a fisioterapia e a psicologia”, diz.
Atendimento humanizado é destaque
Para Katherine, um grande diferencial do local é o respeito e o cuidado minucioso com cada vida que passa pelo espaço, independentemente de por quanto tempo utilize os serviços. “Tratamos uma pessoa, não um número, realizamos o tratamento dela na sua individualidade. Antes dele ter uma patologia ele é, e nunca deixou de ser, um ser humano”, relata.
Ela pontua que a maioria dos pacientes são idosos, e o desafio se concentra justamente em conseguir acolher a todos. “Temos muita demanda para um número inferior de profissionais. É desafiador conseguir receber todos. Também existe a questão de educá-los para ter essa produtividade, para que eles entendam que é um trabalho de passagem continuado no domicílio e que tem que partir do participante também”, detalha.

manuais para os mais velhos. (Foto: Divulgação)03
Usuária do espaço há cinco anos, Ivanez Souza, de 68 anos, conheceu e acessou a clínica por indicação de sua psicóloga. Ela relata que, desmotivada e sem esperanças de poder participar, rapidamente foi chamada. Desde então, conheceu um tipo de cuidado que mudou sua qualidade de vida, pois precisa lidar com depressão, artrose, osteoporose e hipertensão. “A Cuidativa nos dá muita força pra gente enfrentar as dificuldades, ela fortalece e dá acolhimento. Os profissionais são muito bons, nos atendem com maior carinho e cuidado”, afirma. Ivanez conta que participa de aulas de dança e da terapia ocupacional do local.
Segundo Julieta, um dos principais pilares da Cuidativa é justamente essa reabilitação por meio de atividades físicas e cognitivas nos espaços de fisioterapia, academia e nos momentos em grupo. “Desenvolvemos atividades que têm gerado melhorias significativas na capacidade funcional, na autonomia, mobilidade e outros aspectos que promovem felicidade nos nossos usuários”, confirma.
Cuidados paliativos para todos
A Cuidativa, entretanto, não se limita a usuários da terceira idade. Conforme a técnica de enfermagem Maralise Ludtke, que atua há 10 anos no local, enfermos das mais diversas faixas etárias são atendidos, desde que necessitem de cuidados paliativos. “O sistema engloba pacientes com doenças ameaçadoras da vida que não possuem cura, só tem tratamento. É para melhorar a vida deles até o fim dela”, explica.
De acordo com ela, aulas de musicoterapia, aromaterapia e grupos de crochê são ofertados para essas pessoas, para que possam escolher de acordo com a afinidade e suas áreas preferidas. Além disso, recentemente, uma equipe móvel presta atendimento nos hospitais para esses pacientes. Outra novidade são os cuidadores para os enlutados. “O sofrimento, advindo da finitude da vida, do diagnóstico, na maioria das vezes, acomete a família como um todo. Mas geralmente existe um cuidador referência, um familiar, que na maioria das vezes são mulheres. Então prestamos esse acolhimento aos cuidadores, porque eles também têm esse sofrimento que acompanha uma doença”, reforça.
A clínica teve um impacto significativo na vida de Patrícia Ferreira, de 58 anos. A paciente, que utiliza o local desde 2022 devido a fibromialgia, conta que todas suas expectativas foram supridas. “Fui chamada em menos de dois meses. Eles me dão um apoio ótimo, tanto na fisioterapia quanto no acompanhamento médico, além dos psicólogos”, ressalta. Patrícia voltou para Pelotas recentemente após um tempo em outra cidade, e, agora, aguarda ser chamada para ser encaixada novamente na academia.
Educação e desenvolvimento
Katharine afirma que estudantes de diversas universidades, mas principalmente da UFPel, fazem estágio na Cuidativa. “Temos alunos tanto da parte da medicina, da psicologia e da terapia ocupacional, e também tem os ligantes, que são os membros da Liga de Cuidados Cognitivos, que são estudantes”. O local também conta com o auxílio de voluntários nas atividades em grupo.
A Cuidativa agora se prepara para receber, de 12 a 14 de agosto, palestras e estudantes de toda a América Latina no VII Congresso de Cuidados Paliativos do Mercosul. O local, que fica na avenida Duque de Caxias, nº 104, vai ser palco de mini cursos na área desse tipo de cuidado para as mais diversas especialidades. As inscrições para participar podem ser feitas por meio do link https://doity.com.br/vii-congresso-de-cuidados-paliativos-
do-mercosul.



