
O mês de junho marca o início do inverno e a chegada do frio mais intenso, fator importante para a produção de bergamotas, uma das frutas mais apreciadas nesta época do ano. Apesar do dourado das frutas se espalharem pelos pomares das localidades produtoras, o número de frutas está menor este ano. O motivo, ocorreu ainda no mês de janeiro, época de floração dos pomares, em que o calor intenso acabou provocando o abortamento das flores, na parte do pomar que não é coberto por irrigação, explica o produtor Enoir Schimidt, um dos principais produtores da localidade com pomares localizados na Colônia Bachini, 7º distrito de Pelotas.
Segundo Schimidt, outra explicação é o ciclo natural da planta, pois uma safra menor em um ano costuma suceder a boa produção obtida no ano anterior, quando chegou colher 60 toneladas. Este ano, ele estima uma produção bem menor, em torno de 20 toneladas. Além disso, ele observa que a comercialização está mais lenta, o que atribui à mudança de foco do consumidor em relação aos jogos da Copa do Mundo e à priorização de consumo de outros itens da cesta básica, que estão com preços mais altos. “A queda do poder aquisitivo das famílias pode ter levado ao corte na aquisição de produtos não tão essenciais, como as frutas”, acredita. Outra queixa do produtor se refere ao preço pago pela fruta, já que a menor oferta deveria estimular preços mais atrativos. Conforme ele, o quilo da fruta pago ao produtor está em torno de R$ 2,25, igual ao ano passado.

na qualidade da bergamota produzida na Colônia Bachini para conquistar os consumidores da região. (Foto: Adilson Cruz/JTR)
No entanto este cenário pode mudar, já que ainda há pelo menos três meses de inverno pela frente e a janela de colheita da bergamota é bem maior que as demais frutas. Segundo o produtor, é possível manter a fruta no pé por até 60 dias, sem que ela perca qualidade. Na propriedade, estão implantados 1,5 hectares com as variedades, por ordem de colheita, Caí (mais precoce), Ponkan (em colheita atualmente) o carro-chefe da propriedade e a preferida pelos consumidores, e Pareci (tardia), o que totalizam em torno de mil pés em franca produção. Destes, pelo menos 800 são irrigados, o que garante tamanho e qualidade maiores às frutas. A colheita, que geralmente começa em abril pela variedade Caí, se estende por pelo menos seis meses, e dependendo do clima pode se estender até os primeiros dias do mês de outubro, diz.
Frutas são força produtiva no inverno
Apesar da maioria dos citrus consumidos na região ainda terem procedência do Vale do Caí, este mercado, tanto de laranja quanto de bergamota, já há alguns anos é atendido com muita competência por produtores locais. Segundo a Emater, a área implantada com bergamota no município de Pelotas chega a 45 hectares em pelo menos 30 unidades produtivas. O potencial de produção é de pelo menos 900 toneladas da fruta para consumo in natura. A laranja também ocupa uma área de 45 hectares e está presente em 83 unidades produtivas. O rendimento na bergamota, no entanto, é maior e chega a 20 toneladas por hectare. Na laranja, a produtividade é de 15 toneladas por hectare e o potencial de colheita é de 675 toneladas.
Schimidt ressalta que a sua vantagem na competição em relação a vinda da fruta do Vale do Caí é a proximidade com o mercado consumidor e o tempo de colheita. “A minha fruta tem uma vantagem de pelo menos três dias no que se refere a tempo de prateleira”, observa. A mão de obra ainda é um dos principais gargalos da atividade que na propriedade é basicamente familiar. Além do produtor e da esposa Jaqueline Denzel Schimidt, eles contam com a ajuda do pai Aldo Kohls Schimidt, que tem propriedade próxima e de pelo menos dois vizinhos para a colheita. Por isso, as entregas precisam ser planejadas e realizadas de acordo com o número de pedidos. “A bergamota é uma das culturas que requer menos mão de obra manual, sendo a colheita a única fase que requer este serviço, o resto todo se consegue mecanizar, como a irrigação e adubação que são feitas juntas no sistema de fertirrigação”, lembra.
A propriedade é tradicional produtora de pêssego, cultura que ocupa oito hectares da propriedade, e se dedica ainda à cultura da soja, com 32 hectares entre próprios e arrendados, e é claro ao cultivo dos citros, dois hectares. “No pêssego temos 40 dias para colher e depois de quatro dias, a fruta começa a perder a qualidade e a bergamota pode ficar no pé por vários dias e mesmo após colhida mantém a sua qualidade”, garante. O resultado na soja foi de 35 sacos ou 2,1 mil quilos por hectare.

os pomares de bergamota seguem em plena colheita no interior de Pelotas. (Foto: Adilson Cruz/JTR)
O chefe do escritório da Emater Pelotas, Rodrigo Prestes, frisa que em virtude das condições climáticas, este ano, a fruta apresenta sanidade e qualidade muito boas. “No que se refere a mercado, a bergamota concorre com frutas de outras regiões, estamos em início de produção e o nosso diferencial é que os produtores conseguem colher uma fruta mais madura, enquanto a que vem de outras regiões do Estado precisa ser colhida antes porque precisa viajar mais, questão que está relacionada à qualidade”, ressalta.
De acordo com ele, a bergamota é uma frutífera em que se consegue ampliar o período de colheita até o mês de agosto na região. “O que se observa na bergamota é o aumento do interesse por parte dos produtores em investir na fruta e em tecnologias como a irrigação”, salienta. Segundo ele, a frutífera tem um potencial muito grande para a diversificação com outras frutas nas propriedades, como pêssego, uva e morango na região.
Produto é aliado da saúde
Ademais do sabor e tradição da fruta, a bergamota vem da família das tangerinas, rica em vitaminas C e A, além de antioxidantes que ajudam a prevenir problemas de saúde como gripes, câncer, anemia e infarto. Conforme informações da Unimed Serra Gaúcha, ela também possui boas quantidades de potássio, fibras e água, que auxiliam na eliminação das fezes e no controle dos níveis de glicose no sangue, contribuindo para a prevenção da prisão de ventre e da diabetes. Menor, mais achatada e com a casca mais lisa e fina do que outros tipos de tangerina, a bergamota pode ser encontrada em feiras e supermercados, sendo consumida in natura, em sucos, licores, saladas, bolos e molhos. Já a casca e as folhas podem ser utilizadas em chás e óleos essenciais comercializados em lojas de produtos naturais. Existe ainda outro tipo de bergamota menos conhecida, utilizada exclusivamente para a produção de óleos essenciais.
Entre os benefícios da fruta está o auxílio no controle e na prevenção da diabetes. Consumida com o bagaço, a bergamota fornece pectina, uma fibra que reduz a velocidade da digestão e da absorção de açúcar no intestino, ajudando a controlar os níveis de glicose e de insulina no sangue. Além disso, por ser rica em fibras solúveis, promove maior saciedade, reduzindo a fome e a vontade de consumir doces.

o fortalecimento da imunidade, o controle da glicose e o bom funcionamento do organismo. (Foto: Adilson Cruz/JTR)
A fruta também contribui para a redução dos níveis de triglicerídeos e colesterol. As folhas e cascas são ricas em óleos essenciais antioxidantes, como limoneno e terpineno, que combatem os radicais livres e evitam a oxidação das células de gordura. A pectina presente na fruta ainda ajuda a diminuir a absorção de gorduras no intestino, reduzindo os níveis de colesterol total e LDL, o chamado colesterol ruim, e prevenindo doenças como aterosclerose e infarto.
Outro benefício importante é a contribuição para a perda de peso. Rica em fibras solúveis e água, a bergamota prolonga a sensação de saciedade e ajuda a controlar a fome. Além disso, possui baixo valor calórico, tornando-se uma boa opção para quem busca emagrecer.
Os óleos essenciais extraídos da bergamota também apresentam ação calmante sobre o sistema nervoso central, contribuindo para a melhora do humor e para a redução da frequência dos batimentos cardíacos, sendo aliados no tratamento do estresse e da ansiedade.
Por conter elevados teores de água e potássio, a fruta auxilia na eliminação do excesso de sódio pela urina, ajudando a prevenir e controlar a pressão alta. As vitaminas A e C e outros antioxidantes presentes na composição também combatem os radicais livres, preservam a saúde das artérias e favorecem a circulação sanguínea.
A bergamota ainda contribui para o bom funcionamento do intestino. A pectina atua como fibra prebiótica, servindo de alimento para as bactérias benéficas da flora intestinal. Associada ao alto teor de água da fruta, ajuda na formação do bolo fecal e facilita a eliminação das fezes.
Outro destaque é o auxílio no tratamento da anemia. A vitamina C presente na fruta melhora a absorção do ferro dos alimentos, especialmente aquele encontrado em leguminosas e vegetais, favorecendo a formação da hemoglobina.
Além disso, a bergamota pode contribuir para a prevenção do câncer. Seus antioxidantes, como ácido cítrico, vitaminas C e A, flavonoides e óleos essenciais, fortalecem o sistema imunológico e auxiliam na proteção das células do organismo.
Um lembrete importante, especialmente para pessoas com diabetes: apesar dos benefícios, é necessário atenção à quantidade consumida de uma só vez. Em caso de dúvidas, a orientação é procurar um nutricionista.



