Pré-candidata a deputada estadual, Paula Mascarenhas defende municipalismo

Ex-prefeita de Pelotas aposta em pautas ligadas ao municipalismo, saúde, educação e desenvolvimento. (Foto: Lylian Santos/JTR)

A ex-prefeita de Pelotas Paula Mascarenhas (PSD) oficializou o início de sua pré-candidatura à Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul defendendo maior representatividade política para a Zona Sul e uma agenda voltada ao fortalecimento dos municípios. No programa Tradição Entrevista, Paula apresentou sua trajetória, fez um balanço da experiência como gestora municipal e estadual e apontou prioridades como saúde, educação, infraestrutura, agronegócio e desenvolvimento regional.

Segundo ela, o objetivo da candidatura é ampliar a presença da região nos espaços de decisão e transformar a experiência acumulada na gestão pública em articulação política no parlamento gaúcho. “Eu entro como pré-candidata nessa disputa querendo muito poder estar numa Assembleia Legislativa para representar minha região, mas claro, isso vai depender das decisões dos eleitores”, afirma. Assista a entrevista no nosso canal do YouTube.

Educação e gestão
Professora da Universidade Federal de Pelotas (UFPel) e formada em Letras, Paula descreveu sua trajetória em três etapas: a vivência no meio rural, a carreira acadêmica e a entrada na política institucional. Filha de produtor rural e psicóloga, ela relatou que inicialmente pretendia seguir outro caminho profissional antes de migrar para a área das letras e posteriormente para a gestão pública.

Sua aproximação com a política ocorreu a partir da atuação ao lado de Bernardo de Souza, experiência que, segundo ela, moldou sua visão sobre serviço público. “Foi com o Bernardo que aprendi valores fundamentais como a noção do público, do compromisso político e da responsabilidade com a vida pública”, declara. Posteriormente, retornou à política ao integrar a chapa liderada por Eduardo Leite em 2012 como vice-prefeita, tornando-se depois a primeira mulher eleita prefeita de Pelotas.

Ao relembrar os dois mandatos na prefeitura, Paula apontou a pandemia e os eventos climáticos extremos como os períodos mais desafiadores da administração. “Em 2020 tivemos que convencer as pessoas a permanecerem em casa por conta do lockdown e, em 2024, a deixarem suas casas por segurança nas enchentes”, afirma. Ela destacou que as decisões tomadas buscaram equilibrar impactos econômicos e principalmente proteção à vida, citando o reconhecimento recebido pela Organização Pan-Americana de Saúde (OPAS) por Pelotas na gestão da Atenção Básica durante a COVID-19.

Municipalismo e desenvolvimento
Em seu cargo anterior como secretária de Relações Institucionais do Estado, Paula afirmou que a experiência ampliou sua percepção sobre as desigualdades. “Eu sou uma municipalista, a trajetória como prefeita me fez ver que é realmente nos territórios que as políticas públicas se tornam mais efetivas, chegam mais até as pessoas, e, portanto, a gente precisa valorizar os municípios”, diz.

Na área da saúde, a pré-candidata destacou investimentos estaduais em hospitais da região e citou o novo Hospital de Pronto Socorro Regional como uma estrutura capaz de alterar o atendimento regional. Na educação, defendeu ampliação de investimentos em infraestrutura escolar, expansão do ensino integral e valorização da primeira infância. “Eu sou professora, é a minha área. Não tenho dúvida de que é a área mais transformadora. É por onde a gente vai mudar a sociedade”, conta.

Sobre o agronegócio, Paula afirmou que a crise enfrentada por produtores exige resposta coordenada entre Estado e União, especialmente diante dos impactos climáticos sucessivos. “Se nós não conseguirmos ter atenção para as dívidas atuais dos agricultores, teremos uma crise ainda maior. Não foi só a enchente que causou problemas sérios”, avalia.

Quanto a infraestrutura regional, ela destaca a pausa nas obras nas rodovias federais do RS por falta de recursos da União. “Conceitualmente eu não sou contra o pedágio, porque eu entendo que as concessões podem ser benéficas, desde que feitas corretamente, baseadas no interesse público. O pedágio que tínhamos nos prejudicou. Outra questão fundamental nesse debate são os compromissos do governo federal com a nova ponte de Jaguarão e duplicação do lote 4 em Rio Grande que não foram cumpridos e que agora o governo quer incluir nessa nova concessão de pedágio e isso vai impactar na tarifa.”

Ao abordar o cenário eleitoral, a pré-candidata afirma que a região precisa construir maior protagonismo para defender pautas históricas. “Em uma disputa sabemos que muita gente coloca o nome à disposição pensando nas eleições. Não adianta depois a gente se queixar e ter que bater em outras portas. Na hora de puxar a prioridade, vai priorizar a sua região, que é onde tem a maior parte dos seus votos”, complementa.

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