
Sabrina Fonseca Mathias, de 17 anos, atua como empreendedora rural no Potreiro Grande, 2º distrito de Canguçu. Segundo ela, a relação com as vendas começou ainda na infância, influenciada pelos pais. Enquanto o pai trabalhava com a comercialização de frutas, a mãe atuava na venda de hortaliças. Assim, seguindo os passos da família, Sabrina começou vendendo produtos de bicicleta para os vizinhos.
Com a chegada da pandemia, a estudante do ensino médio precisou buscar novas alternativas para manter a atividade. Foi nesse período que criou um grupo no WhatsApp para divulgar os produtos e retomar as vendas. A iniciativa marcou o surgimento do negócio, que passou a ser conhecido como “Variedades da Sabrina”.
Comercialização dos produtos
Para a jovem, a estratégia envolve agregar valor aos alimentos por meio de diferentes formas de apresentação: “Aqui em casa, tudo é baseado no aproveitamento máximo daquele produto. Então, a gente sempre busca por muitas alternativas com o mesmo produto. Os legumes, a gente vende in natura, congelado, picado. A gente sempre busca alternativas que possam suprir as necessidades dos clientes, que facilitem a vida deles”, conta.
A produção orgânica é outro aspecto valorizado no empreendimento. Segundo ela, o cuidado com o solo e com o ambiente onde os alimentos são produzidos tem sido reconhecido pelos compradores. “Vejo que os meus clientes gostam muito disso porque é um diferencial. A gente tá produzindo e nesta produção temos um cuidado com aquele solo, onde a gente tá produzindo aquele alimento”.
Ela conta que manter contato frequente com os clientes também faz parte das estratégias adotadas para fortalecer as vendas. “Postar fotos minhas na horta faz com que a gente fique mais próximos, o cliente do vendedor”, comenta.

Estudos e apoio familiar
Conciliar os estudos com o trabalho exige organização e disciplina. Estudante no período da manhã, Sabrina aproveita o restante do dia para se dedicar ao negócio e a outros cursos que realiza: “Pra mim, poder conciliar os estudos, conciliar as vendas e alguns outros cursos que eu faço exige bastante comprometimento, realmente. Mas eu gosto muito do que eu faço e, quando você gosta do que você faz, tudo se torna mais leve”.
Além do apoio familiar que sempre recebeu, ela destaca a participação em cursos de empreendedorismo rural e de juventude rural como importantes fontes de motivação, aprendizado e troca de experiências. “Quando a gente está incluso nesses outros espaços, consegue ver outros jovens que atuam dentro da sua propriedade, em setores diferentes.
Então, a gente vê o jovem que faz, que é persistente também, que está atuando dentro da sua propriedade, e isso é muito bom. Porque a gente se sente abraçado e sente que não é só você que está fazendo aquilo, que tem outros jovens que também lutam diariamente pra permanecer no campo”, pontua.
Êxodo rural
Atuando em uma área de 1 hectare, com casa, horta e pomar, onde cultiva uma grande variedade de produtos em um espaço reduzido, ela conta que pretende se manter no local.
“Eu acredito que as oportunidades estão onde a gente valoriza, está na nossa propriedade, está no trabalho que nossos pais fizeram, em dar continuidade ao trabalho, a valorizar e aprender a valorizar tudo que eles construíram”, finaliza.
A empreendedora também deixou um conselho para outros jovens que têm o desejo de atuar com empreendedorismo rural. “Que eles não desistam, que eles insistam e que eles acreditem cada vez mais (…). Mesmo que pareça com poucas oportunidades, mesmo que pareça muito difícil, que vocês aproveitem e tentem inovar com o que vocês têm. Porque buscar oportunidades não é fácil, e, quando as oportunidades aparecem, que a gente possa aproveitar elas, que a gente possa usufruir, utilizar delas da melhor forma.”




