
A exploração de petróleo na Bacia de Pelotas poderá gerar até 350 mil empregos diretos em toda a cadeia produtiva, sendo a maior parte na região sul do estado. O dado foi revelado durante o lançamento da Frente Parlamentar em Apoio à Exploração do Petróleo na Bacia de Pelotas proposta pelo deputado estadual Halley Lino de Souza (PT), na tarde de quarta-feira (17), na Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul.

Conforme o diretor de Políticas de Exploração e Produção de Petróleo e Gás Natural do Ministério das Minas e Energia, Carlos Cabral, o número tem como base estudos sobre o impacto da exploração de petróleo no campo de Tupi, na Bacia de Santos, em produção desde 2010. “Isso ainda é uma estimativa, mas a partir do que se observou no campo de Tupi podemos dizer que uma vez confirmadas nossas expectativas de 10 bilhões de barris, os investimentos serão de aproximadamente R$ 250 milhões com uma arrecadação estatal de R$ 1 trilhão e retorno de um terço disso para o estado do Rio Grande do Sul e os municípios da região”, explica.
De acordo com o deputado, a Frente Parlamentar tem entre seus objetivos garantir que a geração destes milhares de postos de trabalho seja concentrada no sul do estado e que sejam perenes. “É a nossa grande tarefa aprender com as experiências que tivemos recentemente, que foi a experiência do Polo Naval, onde tivemos até 25 mil postos de trabalho direto, mas não tivemos talvez o planejamento correto para manter a atividade depois de todas as crises e acabou depois ficando um refluxo de desemprego. A oportunidade de lançar a frente agora, no período anterior, é exatamente para que se possa ter um grande planejamento reunindo também as universidades, os trabalhadores, as lideranças políticas e empresariais, para que se tenha um ciclo longo desses mais de 300 mil empregos, pois não nos adianta ser apenas por um determinado período. Temos que fazer um ciclo duradouro”, diz.

Petrobras realiza estudos iniciais
A gerente de Interpretação e Portfólio da Petrobras, Angélica Garcia explicou que a Petrobras é operadora de 32 blocos exploratórios na região, em parceria com outras empresas, situados a aproximadamente 200 quilômetros da costa, abrangendo uma área total de cerca de 20,5 mil km². “Atualmente, está acontecendo o levantamento sísmico 3D, onde a gente vai investigar o imageamento abaixo do assoalho oceânico e fazer todo o reconhecimento do sistema petrolífero da região, as rochas geradoras, as rochas reservatórias, que vão acumular o nosso hidrocarboneto. As empresas iniciaram esse levantamento sísmico na região sul dos blocos. A partir desses estudos vamos avaliar a perfuração de poços pioneiros, dos poços investigativos. No ano passado iniciamos o processo de licenciamento ambiental e nesses dois últimos meses fizemos os levantamentos socioeconômicos nos municípios litorâneos e da região da Lagoa dos Patos e Mirim”, conta. Conforme Angélica, a Petrobras tem até 2032 para encerrar essa etapa.

da Petrobras. (Foto: Claudio Fachel/ALRGS)
O gerente de relações governamentais do Instituto Brasileiro de Petróleo, Felipe Carvalho, disse que a Bacia de Pelotas representa uma nova fronteira exploratória, capaz de gerar investimentos bilionários, empregos de qualidade, renda e desenvolvimento regional. Além disso, ressaltou a relevância nacional do tema, que afeta a soberania do país, com a previsão de declínio da produção de petróleo pelo Brasil a partir de 2030. “Ampliar o conhecimento geológico nacional é fundamental para evitar que o país deixe de ser exportador para se tornar importador de petróleo a partir da próxima década”, completa.
Base operacional
Durante a reunião também foi revelado que não há definição sobre qual cidade irá servir de base operacional para as atividades da Petrobras. “A representação da Petrobras disse que não há definição da base de apoio, porque ainda se está numa fase preliminar. O que temos concretizado é que tanto Pelotas quanto Rio Grande serão apoios nesta fase preliminar. Pelotas pela estrutura aeroportuária, Rio Grande pelo sistema portuário. Mas temos que pensar maior, pensar que este é tema regional, não é de uma cidade ou de outra”, afirma o deputado.



