Esta sexta-feira, 5 de junho, é marcada como o Dia do Meio Ambiente, que é o conjunto dos elementos naturais e não naturais do local onde as pessoas vivem e estão inseridas. E, para ajudar o meio ambiente, não é preciso ir até a Amazônia abraçar uma árvore ou, ainda, entrar em um barco do Greenpeace e sair por aí salvando baleias e outros animais marinhos. Uma atitude que pode começar aí mesmo na sua casa se refere ao lixo doméstico, seja com a correta destinação desses resíduos ou buscando sua redução por meio do reaproveitamento e da reciclagem desses materiais.
O coordenador do Departamento de Resíduos Sólidos do Serviço Autônomo de Saneamento de Pelotas (Sanep), Edson Plá Monterosso, explica que o mais importante, quando se fala em resíduos, é o destino final. “O melhor destino é o aterro, por causa de dois subprodutos decorrentes da decomposição da matéria orgânica que podem causar sérios danos ao meio ambiente”, diz. São eles o chorume — por isso é necessária uma manta de impermeabilização na base dos aterros para evitar que esse líquido altamente contaminante atinja o lençol freático — e a geração de gás, principalmente metano, que deve ser captado por meio de drenos para ser reaproveitado e impedir seus efeitos nocivos, como o agravamento do efeito estufa e outros problemas relacionados ao aquecimento global. No entanto, quase um terço dos municípios brasileiros ainda destina seus resíduos a lixões a céu aberto.
Além disso, há uma questão sanitária, a fim de evitar doenças transmitidas por roedores e outros animais que se alimentam desses resíduos quando não há a devida cobertura. Os lixões possuem catadores e, no aterro, não existe nenhum tipo de interferência de humanos, insetos ou animais. “Mas é importante que sejam destinados ao aterro apenas os resíduos que não têm reaproveitamento e, por isso, é necessário pensar cada vez mais em reciclar e reaproveitar os resíduos gerados. Principalmente, temos que aprender a gerar menos resíduos”, afirma. Antes de pensar em reciclar, é preciso pensar em reduzir, seja por meio do reaproveitamento de embalagens, como vidros e potes para guardar balas, pregos e parafusos, ou pelo uso cada vez maior de embalagens retornáveis. Segundo ele, há um crescente descarte de resíduos e, mesmo assim, os processos de reciclagem são falhos, caros ou não conseguem reciclar todo o material.
Cada um precisa fazer a sua parte
Pelotas é a quarta cidade mais populosa do Estado, com mais de 325 mil habitantes, e gera em torno de seis mil toneladas de resíduos sólidos domésticos por mês, salienta Monterosso. Além disso, são recebidas na estação de transbordo entre 3 mil e 3,5 mil toneladas de resíduos diversos, provenientes de limpeza e varrição, totalizando mais de nove mil toneladas mensais encaminhadas ao aterro. São 190 toneladas por dia de resíduos domiciliares e, somados os demais resíduos, chega-se a uma média diária de 340 toneladas. “É muita quantidade de resíduos encaminhados para o local correto de descarte, que é o aterro sanitário da Meioeste, situado em Candiota”, comenta.

Os custos do município com a destinação final dos resíduos sólidos ultrapassam R$ 1,5 milhão por mês, sendo cerca de R$ 1 milhão apenas com os resíduos destinados ao aterro sanitário, o que inclui gastos com transporte, transbordo e aterramento. Além disso, são coletadas, em média, 15 toneladas por dia de material reciclável, obtidas a partir da coleta seletiva porta a porta realizada em toda a área urbana do município duas vezes por semana, nos ecopontos e pelo projeto Adote uma Escola, explica. “Dos resíduos domésticos gerados, 50% são matéria orgânica e 20% são material de rejeito”, diz. Segundo ele, o índice de reaproveitamento do material reciclável é de 8%, o que é significativo se comparado ao índice nacional, que não chega a 2%, observa.
Pela distância entre Pelotas e os centros de reciclagem, o valor obtido pelas cooperativas pelos resíduos recolhidos ainda está muito aquém do estimado. “Para corrigir essa distorção, as sete cooperativas de reciclagem de resíduos sólidos têm um convênio com o Sanep, que repassa uma bolsa de R$ 800 por cooperado, além de a cooperativa ter ressarcimento mediante comprovação de despesas com aluguel, EPIs e gastos com energia”, aponta. Segundo ele, esse valor pode chegar a R$ 30 mil por cooperativa, sendo metade destinada às bolsas, possibilitando às famílias uma renda de pelo menos um salário mínimo para sua subsistência, ressalta.
Ele avalia a situação dos resíduos sólidos de Pelotas como extremamente positiva. “Diversos indicadores nos colocam em uma posição de destaque não apenas no Estado, mas em todo o Brasil”, completa. Monterosso acrescenta que o município tem 100% da área urbana e 70% da área rural atendidas pela coleta de resíduos sólidos domésticos.
Além disso, todo o município é atendido pela coleta seletiva duas vezes por semana e 100% da coleta de resíduos de serviços de saúde (RSS), tanto na área urbana quanto na rural, referentes aos resíduos de responsabilidade do poder público, como pronto-socorros, Unidades Básicas de Saúde (UBSs) e Hemocentro, conta com coleta, tratamento por autoclavagem e destinação final correta de seis a oito toneladas por mês. Ele menciona ainda os cinco ecopontos da cidade e as nove cooperativas conveniadas com o poder público: sete de reciclagem de resíduos sólidos domésticos, uma de reciclagem de óleo de cozinha saturado transformado em sabão e detergente — a primeira do Brasil — e a primeira usina de reciclagem de garrafas PET para transformação em vassouras e outros produtos, que deve ser inaugurada nos próximos dias.
Tecnologias auxiliam no processo
A frota de coleta é toda monitorada por GPS e, com certeza, um dos melhores transbordos do Rio Grande do Sul está implantado no município, diz. O antigo aterro, desativado em 2012, está em processo de recuperação e licenciamento. “Quando se somam todas essas características e ações efetuadas pelo poder público, tem-se uma posição de destaque no Brasil em relação aos resíduos sólidos”, afirma.

podem se machucar ou contrair doenças. (Foto: Divulgação)
Segundo ele, a participação da sociedade é fundamental para o aumento do volume de material destinado à reciclagem. “O mais difícil, e que 90% das cidades não fazem, é a oferta do serviço de coleta seletiva pelo poder público à população”, ressalta. No entanto, a participação da população ainda deixa muito a desejar. “Nos contêineres que deveriam receber apenas material orgânico, é grande a quantidade de material reciclável, que deveria ser descartado nos dias e horários pré-estabelecidos”, observa. Aos interessados, no site do Sanep constam os dias e horários, por bairro, da coleta orgânica e da seletiva. “O que não falta para os cidadãos são opções para descartar seus resíduos recicláveis”, lembra. O grande desafio é ampliar a participação dos cidadãos nos projetos e iniciativas oferecidos pelo poder público, finaliza.





