
Um vereador do norte do Rio Grande do Sul passou a ocupar espaço em uma investigação nacional envolvendo influenciadores digitais, ataques ao Banco Central (BC) e o caso do Banco Master (BM). A denúncia feita por Rony Gabriel (PL), natural do Espírito Santo com atuação em Erechim, colocou o político entre os nomes ouvidos pela Polícia Federal (PF) no inquérito que apura a contratação de criadores de conteúdo para defender o empresário Daniel Vorcaro nas redes sociais após a liquidação do banco.
Com mais de dois milhões de seguidores no Instagram, o vereador afirma ter recusado participação no chamado Projeto DV, supostamente articulado para mobilizar influenciadores em favor do BM e contra decisões do BC. Segundo ele, a proposta previa um contrato de dois milhões de reais e cláusulas de confidencialidade de R$ 800 mil. “Eu tenho as conversas em ata notarial em cartório e o contrato, assinado digitalmente. Eu registrei absolutamente tudo porque tudo que eu falei eu posso comprovar”, afirma o vereador.
A repercussão nacional do caso levou a PF a abrir um inquérito para investigar a atuação coordenada de 46 perfis digitais suspeitos — boa parte deles focados em fofoca e humor, sem ligação com temas econômicos ou políticos. O vereador confirmou ter sido intimado para prestar depoimento na Superintendência da PF em Porto Alegre.
A repercussão nacional do caso levou a PF a abrir um inquérito para investigar a atuação coordenada de 46 perfis digitais suspeitos — boa parte deles focados em fofoca e humor, sem ligação com temas econômicos ou políticos. O vereador confirmou ter sido intimado para prestar depoimento na Superintendência da PF em Porto Alegre.
Redes sociais ampliam alcance de políticos do interior
A projeção nacional de políticos gaúchos pelas redes sociais não é novidade. Segundo informações, os influenciadores receberiam roteiros prontos para publicar vídeos questionando a atuação do BC. Gabriel afirma que decidiu tornar pública a proposta após considerar inadequado o conteúdo sugerido pelas agências responsáveis pelo projeto. “Eu tenho esperança de um país menos corrupto, tem gente boa aqui. A impressão que me dá é de que outros vários esquemas corruptos estão ocorrendo simultaneamente e que estão sendo descobertos aos poucos. Uma hora tudo vai desmoronar”, conta.
O empresário Thiago Miranda, apontado como responsável pela coordenação do Projeto, confirmou à PF ter atuado na contratação de influenciadores. Segundo o depoimento, a iniciativa seria uma ação de “gestão de crise” em favor de Vorcaro.
A exposição nacional também ampliou a visibilidade política do vereador, que já se apresenta como pré-candidato a deputado federal. Nas redes sociais, apoiadores passaram a compartilhar conteúdos relacionados à denúncia e ao depoimento prestado à Polícia Federal. De acordo com pesquisa realizada pela empresa Zeeng — Social Media Benchmark, Gabriel aparece em 18º lugar entre os 20 políticos brasileiros com a maior média de engajamento por publicação no Instagram em abril de 2026.
Ele ressalta que o avanço das investigações será determinante para medir os impactos do caso. “O desfecho do inquérito pode alterar tanto a percepção pública quanto os desdobramentos políticos dessa história”, diz. Enquanto a investigação segue em andamento, o caso BM continua repercutindo além dos centros políticos tradicionais do país.



