Da estrutura à colheita: curso da Emater/RS-Ascar capacita para produção de morango em subtrato

Para os alunos, os dias foram de prática e aprendizado que vão trazer resultados para as propriedades de cada um. (Foto: Elise Souza, Emater/RS-Ascar)

Manejo e técnicas para o cultivo de morango em substrato são temas de um dos cursos promovidos pelo Centro de Treinamento de Agricultores de Canguçu (Cetac), ampliando o potencial produtivo da cultura na região. Vinte e oito alunos, de seis municípios, participaram da primeira turma do ano, concluída na quinta-feira (7). Com dois dias de duração, a capacitação prepara os participantes para iniciar na produção da fruta, além de qualificar aqueles que já investem na atividade.

O cultivo de morango vem crescendo de forma expressiva e hoje está presente em todos os municípios da região. De acordo com o extensionista rural da Emater/RS-Ascar Rodrigo Prestes, somente em Pelotas o número de produtores subiu de 60 para 170. “Com esse aumento pode parecer que a comercialização vai se tornar mais difícil, mas temos observado o movimento contrário: junto com a ampliação da oferta, também cresce o consumo, e ainda há potencial para expandir esse mercado”, destaca.

Ministrado por Prestes e pela também extensionista rural da Instituição Janaina da Rosa, o treinamento aborda todas as etapas da produção, desde a construção das estufas até a escolha e o plantio de mudas, manejo da fertilidade, podas, adubação e irrigação, colheita, monitoramento e controle de pragas e doenças. “É um curso com muitas atividades práticas, então o conteúdo não é apenas explicado, mas também demonstrado. Além disso, sempre adaptamos o conteúdo às necessidades de cada turma, de acordo com o que os alunos buscam”, explica Janaina.

Além das aulas no Centro de Treinamento, a capacitação também inclui visita técnica a uma propriedade com produção comercial da fruta, oportunizando o contato com a realidade de quem já atua na área. O anfitrião da visita é o produtor Rodrigo Schulz, que há 10 anos investe na cultura em Canguçu.

Schulz mantém três estufas na propriedade e adota um manejo que vai desde a produção das próprias mudas até o controle de pragas com a utilização de inimigos naturais. As alternativas puderam ser observadas na prática pelos participantes, que nesta edição vieram de Pelotas, São Lourenço do Sul, Canguçu, Herval, Morro Redondo e Arroio do Padre.

Para os alunos, os dias foram de prática e aprendizado que vão trazer resultados para as propriedades de cada um. Para a produtora Fernanda Motta de Azevedo, participar da capacitação deu mais sentido às práticas já adotadas no dia a dia. “Minha família já produz morango e eu venho dos ensinamentos do meu pai. Muitas vezes nós, jovens, não sabemos o porquê de realizar algumas práticas no trabalho, e o curso permitiu entender a razão de cada uma, o que é muito importante para alcançar uma produção melhor”, destacou.

Apesar da experiência, a qualificação e o contato com outra realidade, proporcionados pela visita técnica, trazem novas ideias com potencial para mudanças simples capazes de gerar grandes resultados. “Na propriedade do Rodrigo eu pude ver outras formas de utilização de insumos e maneiras de estruturar a estufa para reduzir custos. Coisas simples que a gente nunca pensou em utilizar”, ressalta Fernanda.

Os conhecimentos oportunizados no curso de cultivo de morango em substrato demonstram o potencial da Assistência Técnica e Extensão Rural e Social (Aters) na qualificação da cadeia produtiva da fruta na região. Uma nova edição da capacitação está prevista para o mês de setembro. As inscrições podem ser feitas nos escritórios da Emater/RS-Ascar em cada município.