Tive o prazer de ter crescido, acompanhando os desenhos animados produzidos por Walt Disney e sua talentosa equipe. Célebres contos da literatura infantil ganharam roupagem e fisionomia marcantes em seus personagens magistralmente elaborados. Branca de Neve e os Sete Anões, Cinderela, A Bela Adormecida, Peter Pan, A Dama e o Vagabundo, Bambi, Dumbo foram alguns deles.
Guardo boas lembranças do tempo em que mergulhava eu, na tela de projeção dos cinemas da minha infância.
O assunto veio à baila nos meus pensamentos porque dois personagens daquela época (e por que não, também, do atual momento?) se distinguiram entre os demais e, ainda, me fazem companhia vez ou outra.
Nos últimos dias, através dessa minha pródiga imaginação, tenho convivido com eles, tentando equilibrar o bom senso e a pressa.
Com essas indicações, o leitor já deve ter descoberto a identidade dos personagens a que me refiro. Pois são eles mesmos: o Grilo Falante e o Coelho Branco.
O Grilo Falante é o companheiro sábio e bem-humorado de Pinóquio em suas aventuras. A extrema habilidade em lidar com o bom senso e o equilíbrio faz dele um importante e imprescindível parceiro para todo e qualquer evento.
O Coelho Branco carrega um relógio e parece estar sempre muito atrasado para alguma coisa, frente aos olhos surpresos e curiosos de Alice no País das Maravilhas.
Nas atribuladas tarefas e no alvoroço dos acontecimentos do meu cotidiano tenho partilhado das facetas desses dois fantásticos indivíduos do reino da ficção.
De um lado, o Grilo Falante a sussurrar nos meus ouvidos palavras prudentes a fim de evitar que eu esqueça de como discernir sobre o mais adequado a fazer em cada situação que se me apresenta no decorrer das horas. E memorizei de tal forma o personagem desenhado nas telas, que o consigo ver ao vivo com seu constante guarda-chuva a descer não sei bem de onde e pousar num dos meus ombros.
De outro lado, o Coelho Branco passa por mim em desabalada corrida com o seu indefectível relógio a apressar meus passos como se o dia fosse acabar logo ali e com ele o que me resta de tempo. Sou capaz de ouvir o tique-taque de cada segundo, assinalando a rapidez e a celeridade do personagem, que demonstra estar constantemente com um horário a cumprir, com um prazo a se esgotar. E me sinto como a própria Alice, correndo muito, sem saber bem por que razão.
Entre um e o outro, fico equilibrando e organizando o tempo e as prioridades para não sucumbir, nem desmoronar. Pois, meus caros, inúmeras vezes, foi de grande valia trazer à tona, do ficcional para o real, tais figuras daqueles desenhos animados.
Se eu soubesse desenhar, gostaria muito de ter rabiscado o Grilo Falante e o Coelho Branco, exatamente como o fizeram seus idealizadores porque, com certeza, eles foram fiéis ao que imagino. Animaram seus desenhos de tal forma, que é possível conviver com eles nessa minha tarefa de escrever a vida.




