CPI dos pedágios é prorrogada após pressão popular e derrota da base governista na Assembleia

CPI segue investigando possíveis irregularidades em contratos atuais e futuros de concessões rodoviárias (Foto: Divulgação)

A Assembleia Legislativa aprovou, na última terça-feira (7), a prorrogação da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que investiga as concessões rodoviárias no Estado. Apesar de tentativas da base governista de retirar quórum e impedir a votação, o requerimento foi aprovado por ampla maioria: 39 votos favoráveis e apenas um contrário, do líder do governo, Frederico Antunes (PSD).

O pedido de continuidade dos trabalhos da CPI era o 12º item na ordem do dia e enfrentou manobras ao longo da sessão para não ser apreciado. Ainda assim, parlamentares de diferentes bancadas — como PT, PP, Novo e PL — ocuparam a tribuna para defender a manutenção das investigações.

A mobilização popular também foi apontada como fator decisivo para o resultado. Integrantes de movimentos contrários à cobrança de pedágios acompanharam a sessão e pressionaram deputados ao longo do dia.

Segundo Loivo Darchery, líder do movimento Pedágio Não, a presença de manifestantes na Assembleia foi fundamental para garantir a votação. “O que aconteceu lá na Assembleia foi a aprovação da prorrogação da CPI dos pedágios, que está investigando irregularidades tanto nas concessões que já tem, e também as concessões que estão para vir”, afirmou.

Darchery relatou ainda que, na semana anterior, a votação não ocorreu por falta de quórum. “Na terça retrasada, os deputados simplesmente abandonaram a sessão para não haver quórum para ter a votação”, disse. Ele destacou que, entre a tentativa frustrada e a nova votação, houve mobilização nas redes sociais e contato direto com parlamentares.

(Foto: Divulgação)

No dia da votação, cerca de 30 a 40 pessoas estiveram presentes na Assembleia, abordando deputados e acompanhando a sessão até o fim. “Ficamos o dia inteiro lá […] o pessoal de Pelotas ficou lá até sete e meia da noite, quando teve o resultado final que foi incrível”, relatou. Segundo ele, a expectativa inicial era de quórum mínimo, mas 40 parlamentares permaneceram na sessão. “Dos 40, foi impressionante que 39 votaram a favor da prorrogação da CPI”, completou.

Outro integrante do movimento, Cléo Francisco Mulling, também atribuiu o resultado à pressão popular. “Com a pressão popular antes, nos gabinetes dos deputados e na hora da votação, conseguimos a vitória […] eu acho que foi uma grande vitória”, afirmou.

Ele destacou que a mobilização envolveu visitas a gabinetes e diálogo direto com os parlamentares. “A lição que a gente tirou daí foi que a força que o povo tem, a pressão popular ela é muito importante”, disse.

Além da prorrogação da CPI, os movimentos contrários aos pedágios articulam novas ações. Entre elas, está a organização de manifestações na região sul do Estado. “A gente está organizando um movimento […] uma mobilização do povo reivindicando a ausência de pedágio aqui da Zona Sul”, afirmou Mulling, que também criticou os impactos econômicos das futuras concessões.

A CPI segue investigando possíveis irregularidades em contratos atuais e futuros de concessões rodoviárias, incluindo projetos ainda em fase de implantação.