As vendas estão aquecidas como nunca nas peixarias do Mercado Central. Para manter a tradição de não comer carne vermelha nos dias que antecedem à Ressurreição de Cristo, os consumidores buscam peixes e crustáceos para seus cardápios e o que não faltam são receitas, onde a criatividade das donas de casa procura driblar os preços. Ana Maria Silva, moradora no Fragata, usa o peixe anjo para fazer um prato onde batatas em rodela formam a base e creme leite completam o paladar.
Segundo o coordenador de vendas Adão Alves, não vão faltar peixes nesta Semana Santa e nem camarão, apesar da safra do crustáceo não ter sido boa neste ano. Sobre os preços, explica que a tendência é que baixem nos próximos dias. Com uma experiência de 40 anos com vendas de peixes no local, Alves conta que a traíra e o camarão são os preferidos pelos clientes.

Para atender à procura que cresce muitas vezes neste período, os proprietários de bancas na peixaria armam tendas na área externa e na hora de garantir as vendas vale disputar os clientes no corredor que se forma entre elas. Essas tendas ficam no local até a Sexta-Feira Santa (3). Peixes em postas ou inteiros são mais baratos.
A tradição de comer peixe na Semana Santa, com a abstinência de carne vermelha, especialmente na sexta-feira, simboliza o respeito ao sacrifício de Jesus Cristo. O peixe é associado aos milagres bíblicos, como a pesca milagrosa e a multiplicação. A tradição transcendeu o aspecto estritamente religioso, tornando-
se um costume cultural forte na gastronomia brasileira durante a Semana Santa.
Na hora de comprar, é necessário observar as condições do peixe, que deve ter olhos brilhantes, guelras vermelhas e cheiro suave se for inteiro. Em postas ou filés, devem ter a carne firme, mas elástica ao toque, com cheiro suave. A conservação deve ser sempre em baixa temperatura ou com cobertura de gelo.





