O senso comum costuma afirmar que no calor sentimos menos fome. Afinal, quem tem vontade de encarar um prato pesado quando o sol está forte e o corpo parece pedir apenas algo gelado? Mas, na prática clínica, a realidade costuma ser outra: muitas pessoas relatam aumento do apetite no verão, especialmente no fim do dia. E isso não é impressão. O calor provoca uma série de ajustes no organismo. Perdemos mais líquidos pelo suor, o sono pode ficar mais irregular e a rotina muda: férias, encontros, dias mais longos e maior exposição social. Tudo isso interfere na forma como regulamos fome e saciedade. Existe ainda um fator pouco comentado: desidratação leve pode ser confundida com fome. O corpo envia sinais de “preciso de energia”, quando na verdade está pedindo água e eletrólitos. Resultado? Beliscos frequentes, vontade por alimentos mais calóricos e aquela sensação de que nada satisfaz completamente.
Outro ponto é o gasto energético. No verão, muitas pessoas se movimentam mais, caminham na praia, pedalam, nadam, participam de eventos ao ar livre. Mesmo quem não pratica exercício estruturado acaba gastando mais energia. Se a alimentação não acompanha essa demanda, o corpo compensa aumentando o apetite. Há também, ainda o aspecto hormonal. Dias mais longos alteram o padrão de sono. Dormir menos ou dormir mal impacta hormônios como grelina e leptina, responsáveis pelo controle da fome. Não é raro observar maior desejo por doces no fim da noite, especialmente quando o jantar foi muito leve ou antecipado. Como lidar com isso de forma equilibrada? A primeira estratégia é ajustar a hidratação de maneira consciente. Não basta “beber água quando lembrar”. Frutas ricas em água como melancia, melão, abacaxi e laranja ajudam. Água com rodelas de limão ou hortelã pode estimular o consumo. Água de coco natural também contribui para repor minerais perdidos no suor.
A segunda estratégia é estruturar refeições leves, mas completas. Um prato colorido com arroz, feijão, salada variada e uma proteína grelhada é mais eficiente do que substituir o almoço por um lanche pobre em nutrientes. À noite, incluir uma boa fonte de proteína, ovos, frango desfiado, atum ou queijo branco (minas,
ricota) junto com legumes ou uma sopa consistente evita ataques à geladeira mais tarde. Outra estratégia importante é planejar lanches inteligentes: iogurte natural com frutas e aveia, pão com pasta de amendoim, banana com um fio de mel e canela. Essas combinações oferecem energia sustentada e evitam picos seguidos
de queda de glicose.
Sentir mais fome no verão não significa falta de controle ou “exagero”. Muitas vezes é apenas o corpo tentando se adaptar às novas demandas ambientais. O problema surge quando respondemos a esses sinais com alimentos ultraprocessados, ricos em açúcar e gordura, que ampliam o ciclo de fome rápida e cansaço.
Pequenos ajustes na hidratação, na qualidade das refeições e no equilíbrio do sono já transformam completamente a forma como você se sente ao longo do dia. Aqui vale observar seus próprios padrões: sua fome é física ou emocional? Surge em que horário? Está associada ao calor, à rotina ou ao cansaço? Nas minhas redes sociais aprofundo esse tema com exemplos práticos e explicações mais detalhadas. E, claro, cada organismo responde de forma única. Um acompanhamento individualizado faz diferença para ajustar alimentação, rotina e objetivos de maneira estratégica e sustentável. Me chama lá no insta @barbaragfreitas.




