Imagina se fosse o Marechal

José Henrique Pires licenciado em Estudos Sociais pelo ICH-UFPel, especialista em Políticas Públicas pela Universidade de Salamanca, Espanha, jornalista e radialista. (Foto: Divulgação)

O calendário marcava sábado, naquele dia 10 de fevereiro do ano de 1912. Como uma bomba, surgiu a notícia da morte do Barão do Rio Branco, ministro das Relações Exteriores do Brasil, um reconhecido herói nacional.

Nosso chanceler era um dos poucos homens do governo do presidente Hermes da Fonseca que gozava da admiração e do respeito de toda a população. As imagens da época mostram as multidões que acompanharam as cerimônias de despedida do prestigiado José Maria Paranhos da Silva Júnior, um qualificado servidor da República, que tinha prestígio e coragem suficientes para continuar ostentando um título nobiliárquico do Império, assinando “Barão” nos documentos.

Diante da comoção nacional, o presidente, marechal Hermes da Fonseca, pensou numa homenagem portentosa: resolveu adiar o carnaval para o mês de abril.

Mas aí o povo achou que já era demais. Até para homenagens cívicas há limites, pensaram alguns.

Nada de lutos no período momesco!

Não deu outra. No sábado seguinte, dia 17 de fevereiro, milhares de foliões foram às ruas e, durante quatro dias, sem qualquer apoio oficial ou organização do setor público, realizaram uma gigantesca comemoração carnavalesca.

Eis que chegou abril, passada a Quaresma e a Páscoa.

Como a transferência da data teve ato oficial, voltaram a rufar os tamborins. Lá se foi o povo para um segundo carnaval; afinal, a lei garantia.

A Avenida Central, no Rio de Janeiro, foi renomeada como Avenida Rio Branco, em homenagem ao falecido.

Mas, para o povo, a grande homenagem prestada à memória de Rio Branco (e por ele mesmo) foi ter proporcionado aos foliões dois grandes carnavais no mesmo ano. Homenageou e foi homenageado.

Fizeram até uma marchinha comemorativa às duas festas, que terminava com uma rima provocadora:

“Ai, imagina se morre o Marechal!”