
*Com informações da Agência Brasil
O programa Move Brasil liberou cerca de R$ 2 bilhões em financiamentos para a renovação da frota de caminhões no primeiro mês de vigência, afirmou neste domingo (8) o vice-presidente da República e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin. A declaração foi feita durante evento em Guarulhos, na Grande São Paulo.
A iniciativa tem como objetivo substituir veículos antigos por modelos mais novos e eficientes e recuperar o ritmo de vendas do setor, que caiu 9,2% em 2025. Entre os caminhões pesados, usados principalmente no transporte de longas distâncias, a retração foi ainda maior, de 20,5% em relação a 2024.
Dados da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) indicam que o mercado de caminhões começou o ano com queda de 34,67% na comparação com janeiro de 2024.
Para Alckmin, a retração está diretamente ligada ao patamar elevado da taxa de juros. “O país tem recorde de safra, com crescimento de 17,9%, e exportações que somaram US$ 349 bilhões, com corrente de comércio de US$ 629 bilhões. Esses produtos precisam chegar a portos e aeroportos. O problema foi a taxa de juros, que chegou a 22% ou 23% ao ano. Como esse tipo de bem costuma ser financiado, a resposta ao programa foi positiva, com cerca de R$ 1,9 bilhão já contratado”, disse.
Entre os beneficiados está o empresário Orlando Boaventura, dono de uma transportadora familiar em Santa Isabel, na região metropolitana de São Paulo. Com 30 funcionários e 20 anos de atuação, a empresa adquiriu o 29º caminhão por meio do Move Brasil. Segundo ele, a economia operacional pesou na decisão. “Um modelo novo gasta até R$ 200 a menos em combustível em uma viagem até o Rio de Janeiro. A taxa de juros está dentro do nosso padrão, conseguimos um bom preço e entendemos que era o melhor momento para comprar”, afirmou. A empresa prevê a contratação de mais cinco trabalhadores neste ano.
Representante dos trabalhadores, Wellington Damasceno, do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, destacou o caráter tripartite do programa, construído com participação de empresas, sindicatos e governo federal. Segundo ele, a iniciativa contribui para a preservação dos empregos, a redução das emissões de carbono e a transição para uma logística mais sustentável.
Durante o evento, representantes da indústria defenderam a manutenção do programa como forma de estimular a retomada das vendas em um setor que envolve montadoras, concessionárias e fabricantes de autopeças. O CEO da Scania, Christopher Polgorski, afirmou que a expectativa de queda da taxa Selic pode ajudar o mercado, mas avaliou que o programa tem papel relevante ao antecipar decisões de investimento. “Cada emprego mantido na produção e nas vendas diretas sustenta outros seis postos indiretos”, disse.
Alckmin afirmou que o Move Brasil não tem prazo definido para encerramento e que o teto de recursos deve permanecer em R$ 10 bilhões. “Neste momento não há discussão sobre aumento do valor. O programa pode durar dois, quatro ou seis meses, até que os recursos se esgotem. Depois disso, vamos avaliar”, declarou.
Crédito e condições
O Move Brasil oferece crédito para a compra de caminhões novos e seminovos fabricados a partir de 2012, por meio do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). Os veículos devem atender a critérios ambientais.
Em janeiro, o eixo Renovação da Frota beneficiou caminhoneiros autônomos, cooperados e empresas transportadoras de 532 municípios. No mês, foram realizadas 1.152 operações, com valor médio de R$ 1,1 milhão.
Ao todo, o programa disponibiliza R$ 10 bilhões em crédito, com recursos do Tesouro Nacional e do BNDES. Desse total, R$ 1 bilhão é reservado exclusivamente a caminhoneiros autônomos e cooperados. As taxas de juros variam entre 13% e 14% ao ano, com condições mais favoráveis para quem entregar veículos antigos para desmonte.
O limite de financiamento é de até R$ 50 milhões por beneficiário, com prazo máximo de cinco anos e carência de até seis meses. Todas as operações contam com cobertura do Fundo Garantidor de Investimentos (FGI), que assegura garantias de até 80% do valor financiado.



