
Com investimento municipal de R$1,5 milhão, o carnaval pelotense retoma a celebração da festa ao calendário tradicional do país – entre 14 e 17 de fevereiro -, algo que vinha sendo reivindicado há anos pelas entidades carnavalescas e pela própria população, marca um momento significativo para a cidade. A expectativa do executivo é de um público maior em relação às edições mais recentes, tanto pelo retorno ao período oficial quanto pelo acesso popular e solidário à arquibancada.
A secretária de Cultura, Carmem Vera Roig, explica que para a gestão municipal, o Carnaval é um investimento cultural e econômico. “É uma das expressões mais importantes da identidade popular de Pelotas, vinculada à memória, à criatividade e à ocupação do espaço público. Além disso, gera emprego, renda, dinamiza o comércio e fortalece a economia criativa. Este ano, o acesso solidário ocorre por meio da doação de um quilo de alimento não perecível”, relatou.
Entre os investimentos está o apoio direto às entidades carnavalescas, por meio de subvenção social à Associação das Entidades Carnavalescas de Pelotas (Assecap), também a subvenção específica à Liga dos Blocos de Rua e Cordões Carnavalescos, e recursos destinados à realização da escolha das Cortes e à estruturação operacional do evento. O Carnaval também conta com participação de parceiros institucionais e da organização das entidades, como escolas de samba, blocos e ligas c, que participaram do planejamento do evento desde o ano anterior, em reuniões de construção conjunta.
A presidente da Assecap, Vanessa Veleda, descreveu a ação de retomada como a melhor coisa que aconteceu. “O retorno tá aí, os ensaios estão lotados, as pessoas estão muito alegres, todos os eventos das entidades têm dado um bom público. Estamos esperando um público muito bom na passarela e a receptividade das pessoas para o retorno do carnaval nessa época foi a melhor possível, superou as nossas expectativas”, relatou.
Carmem expõe uma preocupação da pasta em resgatar elementos históricos e culturais do Carnaval local, não apenas na estética e nas tradições, mas principalmente na lógica de organização, na valorização das instituições e no diálogo. “Como afirma o historiador Luiz Antonio Simas, ‘o Carnaval é quando a cidade sonha acordada, as ruas viram palco, corpos viram linguagem e o tempo comum se abre para a alegria, a criação e a convivência’.
Retomar o Carnaval no seu tempo próprio é, portanto, devolver à cidade esse ritmo simbólico, esse espaço de encontro, de invenção e de pertencimento. Para a gestão, isso representa alinhar política pública, tradição cultural e desejo social, é o reconhecimento do Carnaval como uma experiência viva que só faz pleno sentido quando ocorre no tempo que lhe pertence”, explanou.
Cadeia produtiva
Em termos de geração de trabalho e renda, o evento produz um volume expressivo de empregos temporários, especialmente nas áreas de costura, bordado, confecção de fantasias e adereços, montagem de estruturas, limpeza, alimentação, transporte e comércio ambulante. Ainda há contratação direta de músicos, artistas, dançarinos, coreógrafos e profissionais da cultura, que atuam tanto nos desfiles quanto nas apresentações dos blocos e demais atividades. É uma cadeia produtiva extensa, que envolve desde profissionais especializados até pequenos empreendedores e trabalhadores informais.
Entre eles está Bianca Ribeiro, proprietária do food truck Rico Lanches e o restaurante Rica Marmita, que este ano também repassará alimentação para as secretárias de segurança do evento. “Acompanhar o Carnaval de dentro do food truck é sentir o pulso da cidade. Ver a energia dos blocos passando, as fantasias e o sorriso de quem faz uma pausa rápida para recarregar as energias com a gente é contagiante”, contou.
Para a empresária e seu marido, o Carnaval beneficia a todos e avaliam a organização deste ano como positiva e bem planejada. “Quando o folião compra um lanche comigo, ele está ajudando a manter a cadeia viva. É o momento em que o dinheiro circula com mais força dentro da nossa cidade, gerando renda e mantendo os negócios locais aquecidos. Nos dá segurança para planejar os próximos meses. A gente trabalha enquanto os outros se divertem, mas o resultado financeiro é o que nos dá o sorriso no rosto”, disse a proprietária.



