
Dar sete voltas no quarteirão carregando uma mala, comer 12 uvas à meia-
noite fazendo um pedido para cada mês do ano e colar uma nota de R$ 2 no sapato são algumas das superstições que brasileiros praticam na virada de ano em busca de sorte, dinheiro e realizações pessoais.
A cabelereira Isabelli Marques explica uma das simpatias mais populares. “Na véspera do Ano Novo, você pega uma mala, pode ser vazia ou com algumas roupas, como se fosse viajar. À meia-noite, você sai de casa e dá sete voltas ao redor da casa ou do quarteirão”, diz. Durante as voltas, é preciso mentalizar os destinos que se deseja conhecer no próximo ano.
Outra superstição comum envolve uvas. “Cada uva você vai pensar em um desejo para aquele mês. Em janeiro, eu quero conseguir um emprego novo. Em fevereiro, quero conseguir um aumento. Em março, eu quero encontrar o amor da minha vida”, exemplifica. Ela lembra que é necessário sentar em baixo da mesa de jantar para que a simpatia funcione.
A policial rodoviária federal Cintia Pinheiro mantém outras tradições. “Sempre como lentilha e como uva. São sete uvas”, diz. Cintia também evita certos alimentos. “Não como frango, porque o frango cisca para trás, e como porco porque ele ‘focinha’ para frente”. A lógica popular afirma que o frango traria retrocesso, enquanto o porco simbolizaria progresso, visto que o animal está sempre andando com o focinho apontado para a frente.
A simpatia do dinheiro no sapato ganhou adeptos recentes. O marido de Isabelli, Gabriel, testou no Réveillon de 2024. “Ele colocou R$ 2 embaixo do pé no sapato e passou a virada assim. Quando virou o ano, teve que gastar o dinheiro rapidamente”, relata a cabelereira.
A fisioterapeuta Luciellen Insaurriaga pratica o mesmo ritual há dois anos. “Nunca acreditava em simpatia para virada, mas essa funciona. É colar uma nota de R$ 2 no pé direito e, quando virar o ano, gastar o mais rápido possível”, diz. Ela afirma ter notado mudanças. “Não sei se é coincidência, mas comecei a ter sorte e mais grana”.
Nem todas as tradições são explicitamente supersticiosas. A estudante de arquitetura Elisa Montag criou um ritual próprio: entrar no novo ano com a casa limpa e as unhas pintadas. “A minha unha é muito frágil. Se eu fico sem esmalte, ela quebra muito fácil, então se passar a virada com ela pintada, vou ter unhas fortes o ano todo”, explica.
Sobre a limpeza da residência, a estudante valoriza o aspecto simbólico. “Saber que minha casa está limpa, que eu cuidei do lugar onde vivo, que está higienizada, que está com cheiro bom me deixa em paz”, elucida. Para Elisa, começar o ano com a sensação de ordem e autocuidado é fundamental.



