
A tarde do sábado (13) foi especial para as 35 crianças, com idades entre um mês e 11 anos, e as 18 famílias assistidas pelo Grupo Caridade com Amor do Centro Cultural Assistencial Espírita de Umbanda Kardec Pai Bernardo e Jayme de Carvalho, em Pelotas. Com a presença do Papai e da Mamãe Noel, foram entregues presentes e doces às crianças e cestas básicas às famílias, encerrando com chave de ouro as atividades do ano. Toda a recepção, que contou ainda com encenação sobre Jesus Cristo, foi preparada com muito carinho pela diretora social do Centro, Solange Quadros da Silva, pela dirigente geral, Maria Jaquelini Maciel Gonçalves e demais integrantes do grupo.
Ao longo do ano, estas 18 famílias – a maioria constituída por mães solo e atípicas – são assistidas com alimentos e orientação pelos integrantes do grupo, que realiza campanhas o ano inteiro para arrecadar recursos e alimentos a fim de dar um reforço na manutenção destas famílias, que em grande parte vivem de Bolsa Família ou da renda obtida na realização de faxinas. No último sábado de cada mês, são entregues as cestas contendo um quilo de cada alimento, no total de oito itens (arroz, feijão, farinha, massa, leite, óleo, açúcar e biscoito). “A entrega de janeiro a novembro é um quilo de cada item. Na sacola de dezembro, além de antecipada é reforçada, com cinco quilos de arroz e três quilos de cada um dos demais itens”, explica Solange.
Os brinquedos entregues às crianças são todos novos, comprados na loja e doados por frequentadores e trabalhadores da Casa. “E não é só entregar, sempre tem uma conversa antes sobre algum assunto pertinente ou algum problema que elas estejam enfrentando”, explica a dirigente. Neste dia, elas trocam experiências e tem a oportunidade de serem ouvidas. “Aquele apoio, orientação que a pessoa esteja precisando”, diz. As famílias são convidadas a frequentar os trabalhos do centro, mas não são obrigadas, nem todas frequentam.
A entrega é feita no dia em que ocorre trabalho Kardecista no Centro, realizado no pavimento superior, ficando a parte térrea só para a atividade. “Elas ficam bem à vontade para tomar passe, mas tudo é na vontade delas, não são obrigadas a participar das atividades da casa”, ressalta.
Antes de receberem o auxílio, elas passam por uma entrevista e assumem o compromisso de quando estiverem empregadas com carteira assinada, passem o direito à cesta adiante, para outra que precisa. “Elas são bem conscientes e avisam quando podem abrir mão da ajuda em favor de outra”, destaca.
Com 79 anos de fundação, o trabalho do Centro com as famílias em vulnerabilidade começou na década de 1990, com distribuição de sopão, pela então dirigente geral, Maria Inilda, no dia 10 de abril, data do aniversário dela e data de nascimento de uma das fundadoras da casa, Perciliana Marins Rocha. A casa foi fundada por ela junto com Celina Rosado. As duas médiuns tinham como guias espirituais Pai Bernardo e Jayme de Carvalho, por isso o centro recebeu este nome.
“As pessoas hoje em dia são carentes de tudo, do alimento material e espiritual, do afeto, de uma palavra, uma conversa, um sorriso, como faz bem um sorriso quando se está mal” garantem. Ao longo do tempo, por regra da Casa e orientação dos guias espirituais, o alimento pronto foi substituído por quilos de alimento não perecível, para elas prepararem em casa.
A campanha ocorre o ano inteiro, de janeiro a janeiro. Grande parte das pessoas que contribuem são frequentadores da Casa. Todos os meses, é realizada a arrecadação e entregue no último sábado de cada mês. O Centro Espírita ajuda, com doações do presidente e membros da Corrente. E um quilo de cada item, oito itens no total, alimentos não perecíveis, como arroz, feijão, óleo, biscoito e leite.
Antes da Festa de Natal, no mês de outubro, a mãe de cada família preenche uma ficha com o nome das crianças que elas querem que recebam presentes do Papai Noel. Os membros da casa são convidados a apadrinhar, com roupas ou brinquedos. Além da Campanha de Natal, são realizadas arrecadações de volta às aulas com material escolar, Páscoa, Dia das Crianças, entre outras. “O pessoal da casa abraça e ajuda”, afirmam.
“Na pandemia não faltou alimento, pelo contrário, sobrou”, diz Solange. Este ano, as crianças da casa também participaram da ação de Natal, como forma de aprender a doar, dizem. “Eles que entregaram o pacotinho de balas aos pequeninos”, assegura Solange.
O Centro Cultural Pai Bernardo e Jayme de Carvalho está localizado na rua Três de Maio, nº 67, no bairro Porto. Os trabalhos da Casa ocorrem às segundas e quintas-feiras, às 20h, e no sábado, às 16h.



