Ontem, ouvi a canção “A Lista” e me encantei com a sutileza da letra composta por Oswaldo Montenegro. Sublime! Lúcida! Verdadeira!
Depois de ter mergulhado na carta de Gabriel Garcia Marques e no poema de Jorge Luís Borges sobre repensar a vida, fiquei plena de imagens e pensamentos de profunda meditação.
Mas esses escritores estavam na idade da sabedoria quando redigiram as palavras ascinantes, que nos alertam a respeito da finalidade de viver cada minuto sem desperdiçá-lo. Oswaldo Montenegro, no entanto, é um jovem, ouso dizer, meu contemporâneo. E me orgulho de pertencer a sua geração. Orgulho-me de sabê-lo portador, arauto, menestrel que fala com a voz da poesia aquilo que a existência tem de mais precioso: – a realidade da dor, do riso, da liberdade, da ternura, da simplicidade.
Fazer uma retrospectiva de valores é tarefa árdua, nessa altura do campeonato. Até porque, temos a impressão de que ainda somos jovens e que a época para uma revisão é sempre prematura.
E nisso reside a incoerência de tudo. A data marcada para a partida definitiva pode ser a qualquer hora e vivo como se ela estivesse postergada para muito além e não, sentada ao meu lado. E como disse Mario Quintana…” minha morte nasceu quando eu nasci, despertou, balbuciou, cresceu comigo…”
Portanto, é aqui e agora.
E me surge ouvidos adentro, sensibilidade afora, as palavras de um menino a sacudirem meus alicerces e a me fazer mergulhar, emoções na pele, num rio cristalino de lágrimas de reconhecimento. Reconheci a mim mesma em cada sílaba da poesia de Oswaldo Montenegro. Ah! Menino, que jeito bonito de dedilhar sentimentos, que perícia em esmiuçar os labirintos das almas! Que bom saber que existes nesse tempo em que existo!
Somos navegadores de uma idêntica embarcação e a mesma lista de sentimentos que compuseste, partilho sem cerimônia, reconhecendo o reflexo de mim mesma em cada estrofe.
“Faça uma lista de grandes amigos
Quem você mais via há dez anos atrás?
Quantos você ainda vê todo dia?
Quantos você já não encontra mais?
Quantos segredos que você guardava?
Hoje são bobos ninguém quer saber
Quantas pessoas que você amava?
Hoje acredita que amam você?”




