Observando ao redor

Kalunga Mello Neves, escritor, compositor e palestrante. (Foto: Divulgação)

Sempre gostei de observar em minha volta. Agora, então, com a idade avançando, mais ainda esta atitude se faz constante em minha vida. É bom? É ruim ser assim? Não sei.

Lembro-me que indistintamente me via olhando com curiosidade meninas e meninos que passavam por mim. Fossem como fossem, lindas, nem tanto, magros, altas, fortes, elegantes, se tinham algum atributo físico que se salientasse e me chamava a atenção, lá estava eu a expor para mim mesmo a opinião que me deixavam. E isso me tornou isento de muitos preconceitos, pois não fazia comparações, e sim me detia a observar como somos diferentes uns dos outros.

Percebi que existe uma diferença significativa entre olhar e observar. O olhar nem sempre nos traz emoção. Já a observação amplia a análise do que vemos. O olhar provoca uma reação rápida e, por vezes, intempestiva. A observação nos coloca comprometidos com o que vemos.

Olhamos para a rua e vemos carros passando. Observamos que dentro dos carros, pessoas falam ao celular, casais brigam por motivos fúteis e alguém liga o pisca-alerta para dobrar à direta e respeita a faixa de pedestres. Isso nos incita a termos uma opinião, a procurar argumentos para justificá-la ou não.

Sinceramente, não sei se nos dias de hoje vale a pena a gente prestar atenção em tudo que ocorre ao nosso redor. Uma certa alienação consciente até que nos faria bem. Isso, quem sabe, evitaria nossa preocupação com assuntos que nos preocupam e que temos as mínimas condições de interferir em seu curso.

É, meu amigo e minha amiga, feliz no Brasil do hoje quem ganha seu tempo observando o voo majestoso do beija-flor em um jardim florido ou senta em sua cadeira de balanço no alpendre distraído a folhear as páginas de um bom livro recebendo o carinho do seu vira-lata fiel.

1 comentário

  1. Pois é amigo Kalunga, penso que olhar simplesmente os transeuntes em nossa volta, sem observar os seus comportamentos ou atitudes, deixam mais livres e verdadeiras as nossas emoções, mas ê difícil separar uma coisa da outra. Acho que só os poetas conseguem!

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