
O projeto de extensão “Verdadeiramente: prevenção e combate à desinformação em saúde mental”, será lançado oficialmente, na próxima segunda-feira (1º), em Pelotas e Rio Grande. Financiada pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e o Ministério da Saúde, a iniciativa busca prevenir e combater a desinformação científica em saúde mental por meio do Jornalismo, facilitando o acesso dos usuários do Sistema Único de Saúde (SUS) ao conhecimento científico sobre saúde mental e aos serviços oferecidos.
Com sede de execução na Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), o projeto conta com professores e estudantes do curso de Jornalismo da Universidade Federal de Pelotas (UFPel) e profissionais da Comunicação dos hospitais universitários da UFSM, UFPel e Universidade Federal 11do Rio Grande (Furg) – áreas de abrangência do projeto. O evento de inauguração é gratuito e terá início às 17h, no Auditório Acadêmico Andrew Valadão, localizado no 4º andar do Campus Anglo da UFPel, aberto a professores, pesquisadores, profissionais e estudantes das áreas da Saúde e da Comunicação, além de interessados no tema. Mais informações sobre inscrições podem ser obtidas no Instagram @projetoverdadeiramente.
Como funciona
A coordenadora geral do projeto e professora do curso de Jornalismo da UFSM, Luciana Carvalho, acredita que o jornalismo feito com rigor de apuração, embasado nas evidências científicas e usando linguagem acessível e adequada a cada público é, por si só, estratégia fundamental na extensão universitária. “Jornalismo, enquanto produto de comunicação, deve ser, assim como a extensão, dialógico – precisa ouvir a comunidade. Na área da saúde mental, ainda mais, pois ainda há muitos mitos e estigmas que dificultam a apropriação do conhecimento e das informações por parte da população”, explicou.
A parceria funciona com pesquisadores das áreas da Comunicação, Psicologia, Psiquiatria, Educação Física e Enfermagem. A equipe de Comunicação executa o projeto, enquanto os integrantes das outras áreas atuam como consultores e fontes de informação. Os bolsistas e voluntários acompanham os grupos de pesquisa, conversam com os cientistas e, juntos, encontram pautas a serem levadas ao público por meio de reportagens. Neste ano, foram publicados mais de 20 conteúdos, entre textos, vídeos e áudios curtos. “Também iremos realizar atividades em escolas e unidades de saúde, como rodas de conversa, oficinas e capacitações, que irão contar com pesquisadores dessas outras áreas”, detalhou a coordenadora.
Para a professora do curso de Jornalismo da UFPel e integrante do projeto, Silvia Meirelles, o projeto ocorre em um contexto urgente. “A gente vive um período em que as pessoas fazem autodiagnóstico pelas redes sociais, seguindo checklists e conteúdos superficiais, principalmente quando falamos de saúde mental. Pensar um projeto voltado à desinformação nessa área é importante para tratarmos com mais cuidado o acesso a informações tão fundamentais”, afirmou.
Em 2026, a organização pretende ouvir as comunidades e levar conhecimento para ajudá-las a identificar e se proteger da desinformação, estratégia conhecida como “prebunking”, que é mais eficaz do que a checagem de fatos. “É como se levássemos às pessoas uma vacina contra a desinformação. Ao tomar conhecimento de como ela funciona, o cidadão fica mais resistente e corre menos risco de ‘cair’ em uma ‘fake news’”, explicou Luciana.



