
O novo Atlas de Risco a Inundações do Rio Grande do Sul, divulgado pelo governo do Estado em parceria com a Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA), apresentou um diagnóstico atualizado sobre as áreas mais suscetíveis a cheias. Entre as regiões avaliadas, a Zona Sul recebeu destaque, com municípios classificados entre os níveis Muito Alto, Alto e Baixo Risco. O material foi lançado na última terça-feira (25), durante o 26º Simpósio Brasileiro de Recursos Hídricos, realizado em Vitória (ES).
Pelotas, Rio Grande e São Lourenço do Sul foram enquadrados no nível Muito Alto. A classificação indica maior recorrência de cheias, histórico de danos e áreas urbanas mais vulneráveis. Já o grupo considerado de Alto Risco reúne Arroio Grande, Capão do Leão, Cerrito, Jaguarão, Pedro Osório e Turuçu, onde o estudo identifica potencial significativo de alagamentos e necessidade de monitoramento contínuo. Nenhum município da região aparece no nível Médio. Em Baixo Risco estão Canguçu e Herval, que apresentam menor probabilidade de eventos severos, embora permaneçam sob observação.
O documento atualiza o Atlas de Vulnerabilidade a Inundações, publicado em 2014, e integra as ações previstas no Plano Nacional de Recursos Hídricos. O estudo reúne dados sobre frequência, intensidade e impacto das cheias que atingem áreas urbanizadas próximas a rios e canais, oferecendo uma base técnica para orientar políticas públicas e priorizar intervenções.
A Secretaria do Meio Ambiente e Infraestrutura (Sema) e a Defesa Civil Estadual participaram da elaboração do levantamento, que também contou com dados do Serviço Geológico do Brasil (SGB). O estudo indica que 346 municípios gaúchos apresentam risco relevante de inundações ou enxurradas.
Entre eles, 43 estão classificados como Muito Alto, 82 como Alto, 108 como Médio e 113 como Baixo risco. Além da zona sul, há maior concentração de áreas vulneráveis na Bacia do Guaíba e na calha do rio Uruguai, regiões historicamente impactadas por cheias.
A metodologia aplicada combina simulações hidrológicas que mapeiam manchas de inundação, análises de vazão e registros de eventos, além de avaliação qualitativa baseada no histórico do Sistema Integrado de Informações sobre Desastres (S2iD). A classificação final adota sempre o maior risco entre os métodos, garantindo abordagem conservadora.
A atualização do mapa começou pelo Rio Grande do Sul em razão das cheias de 2023 e 2024, consideradas entre as mais severas já registradas no país. O estudo integra as ações do Plano Rio Grande, programa estadual voltado à prevenção, reconstrução e fortalecimento da resiliência climática.
Com a nova classificação, os municípios da Zona Sul passam a contar com uma ferramenta técnica que orienta ações de contingência, investimentos em obras de proteção, implantação de sistemas de alerta e planejamento urbano voltado à redução de danos.



