Ternura de vanguarda

O avanço da tecnologia trouxe de arrasto novidades e mudanças de postura frente à realidade da vidinha pacata e sossegada de antes. O modernismo se impõe sobre o que era simples e coerente no verso, anverso, reverso e diverso da surpreendente raça humana.

De geração em geração, se modificaram hábitos e costumes.  Já não sentamos à tardinha em cadeiras na calçada para ver o movimento. E como disse Mario Quintana: “antigamente os relógios não mediam o tempo, eles meditavam o tempo”. Hoje, sentamos diante da telinha do computador e do telefone celular, que nos abrem janelas com paisagens ao alcance da mão e dos olhos. Os ponteiros dos relógios se perderam por entre os números e cederam o lugar para as horas digitais         .

Tudo é eletrônico. E a cada giro da Terra se movem os habitantes em uma transformação gradativa, em um compasso de tempo que não divaga, acelera.

Realidade virtual e clonagem, assuntos da época.

Se outrora fui arredia em me submeter ao óbvio do progresso, constato a soberania do novo e me rendo aos seus encantos.

Pois bem, precisei me adaptar para não ficar de fora dessa atual aventura cibernética que causaria espanto nos nossos avós, com certeza.

Sinais dos tempos. Tive que me engajar nessa revolução de usos para fugir da categoria de alienada e ultrapassada, e me tornar parte integrante do vir a ser (que já está sendo), antes que fosse tarde.

E sem premeditar, aconteceu. Acionaram os meus controles, explicaram como eu deveria ligar a tal geringonça e, após alguns deslizes, reclamações, erros e sustos, apertei o cinto e decolei.

Estou adorando o contato com o planeta através do teclado e da telinha. Estabeleço contato com o mundo e redescubro tesouros, que havia enterrado na lembrança.  Reencontrei amigos que o tempo levou para longe, que o afastamento colocou distantes.  É possível, por meio de muitas alternativas, que ora denominam de “aplicativos”, conversar de viva voz, com direito a imagem a cores em tempo real com alcance a qualquer território do planeta Terra.

Reatei laços com passagens da minha vida que supus perdidas. E isso é gratificante. Um presente que o progresso e a evolução me trazem.

Tudo muito fácil, muito simples. Óbvio que depois de muito aprendizado nos programas, que existem para direcionar a navegação no cosmos da computação.

Graças à internet, estou “plugada” na tecnologia que permite a ternura e o abraço apertado que os corações, ainda, não dispensam, com cibernética e tudo o mais que se fizer assunto de vanguarda.

Aliás, sentimentos e partilhas, nunca serão substituíveis. A máquina pode facilitá-los, nunca os superar. É apenas o elo de ligação que oportuniza vencer espaços e redimensionar o tempo.