Quando a responsabilidade compartilhada gera economia no manejo dos resíduos sólidos

Tribunal de Contas do Estado (TCE-RS). (Foto: Divulgação)

Por Leonardo Felipe Dias Zanatto, auditor de Controle Externo

A discussão sobre resíduos sólidos costuma ganhar espaço apenas quando surgem aumentos de custos ou quando o debate ambiental se intensifica. Ainda assim, a separação correta do lixo permanece como um dos pilares centrais da Política Nacional de Resíduos Sólidos, instituída pela Lei Federal nº 12.305/2010. A legislação estabelece que governo, empresas e sociedade dividem a responsabilidade pelo ciclo dos resíduos sólidos, o que torna essencial a participação cidadã desde o momento do descarte.

Nesse sistema complexo, as associações de catadores exercem uma função técnica e social de grande relevância. Esses trabalhadores realizam a triagem detalhada dos materiais reci- cláveis e sustentam parte significativa da economia circular, embora muitas vezes não recebam a visibilidade que merecem. Quando resíduos orgânicos e recicláveis são misturados, perde-se qualidade, reduz-
se o potencial de reaproveitamento e aumenta o volume de rejeitos destinados aos aterros sanitários. Essa consequência tem efeito direto no orçamento municipal, já que o valor pago pelo serviço costuma levar em conta o peso total encaminhado à disposição final. Quanto maior a massa descartada como rejeito, maior o custo para o poder público.

Separar corretamente não representa apenas uma conduta ambientalmente adequada. Trata- se de uma prática que reduz despesas públicas e amplia o fluxo de materiais que retornam ao ciclo produtivo. Quando o reciclável deixa de ser encaminhado indevidamente ao aterro, o peso final diminui e a carga financeira se torna menor. As cooperativas também são beneficiadas, pois recebem materiais de melhor qualidade e conseguem aumentar a renda de seus associados.

A responsabilidade prevista na lei exige ações articuladas. O poder público deve oferecer infraestrutura de coleta seletiva e promover educação ambiental contínua. As empresas precisam cumprir seus compromissos na logística reversa. A população, por sua vez, tem o dever de separar, acondicionar e destinar seus resíduos de maneira adequada. Pequenos hábitos cotidianos transformam o desempenho de todo o sistema.

O desafio permanece tanto operacional quanto cultural. Persistiremos tratando o lixo como um problema distante mesmo sabendo que parte dos custos nasce dentro de nossas próprias casas? Quando a separação é ignorada, resulta em maior gasto e menor eficiência. Quando é realizada com responsabilidade, todos ganham, especialmente aqueles que mantêm viva a economia da reciclagem.

Leonardo Felipe Dias Zanatto, auditor de Controle Externo. (Foto: Divulgação)