Azeite Sol das Olivas chega à região sul com aposta no olivoturismo e modelo artesanal

A certificação Premium RS colocou a Sol das Olivas entre as 14 marcas estaduais que atendem aos mais altos padrões. (Foto: Divulgação)

Começar um negócio em área rural, longe dos grandes centros, nunca foi tarefa simples. Para Solange Dias Neves e Gerald Moser, fundadores da Sol das Olivas, os nove anos de trajetória comprovam isso. Desde 2015, quando iniciaram o empreendimento a 43 km de Encruzilhada do Sul, o casal enfrenta os desafios do ramo que escolheram em nome da paixão pelo que fazem.

“Foi muito difícil empreender”, admite Solange. Mas o gosto pelas oliveiras e a crença no potencial da olivicultura gaúcha sustentaram o projeto que hoje conta com certificação Premium do governo estadual e distribui para o Brasil, Alemanha e Portugal.

A Sol das Olivas mantém uma estrutura enxuta: um funcionário fixo e três volantes no dia a dia. Durante a safra, entre fevereiro e março, a equipe se expande para até 15 pessoas dedicadas à colheita manual das azeitonas. “Somos pequenos e nosso modelo de negócio sempre será o envase do nosso produto”, define Solange, deixando claro que a escala não é prioridade – a qualidade sim.

Essa escolha se reflete no processo produtivo. Sem uso de agrotóxicos ou insumos químicos, com colheita manual e extração a frio no Lagar da Olivas da Lua, o azeite mantém acidez inferior a 0,2% e perfil sensorial que conquistou o selo Produtos Premium – Origem e Qualidade RS em 2025, uma das certificações mais criteriosas do país.

Safra 2026: recomeço após perdas climáticas

Depois de dois anos sem colheita devido a variações climáticas que atingiram olivais gaúchos, a propriedade retoma a produção com estimativa de 20 toneladas de olivas e cerca de 2 mil litros de azeite extravirgem. A diversidade de variedades cultivadas – Arbequina, Koroneiki, Arbosana, Picual, Galego e Frantoio – permite tanto monovarietais quanto blends complexos.

O blend 2025, que combinou Koroneiki, Arbequina, Arbosana e Picual, já demonstrou o potencial do terroir da Serra do Sudeste com cor verde intensa e sabor marcante.

Embora produzido na Serra, o azeite Sol das Olivas tem a região sul do estado como foco estratégico de mercado. “Porque acredito no empreender”, justifica Solange sobre o investimento em vendas na zona sul. Para ela, abrir mercado nessa área é desafiador, mas promissor: “A região sul do RS é linda e acredito no olivoturismo e que podemos atrair público”.

Ao longo da safra, a equipe enxuta de 4 integrantes
se expande para até 15 pessoas. (Foto: Divulgação)

Essa crença se materializa na oferta de hospedagem rural via Airbnb. A propriedade recebe até quatro hóspedes em ambiente pet-friendly, com trilhas entre oliveiras, colheita de morangos e verduras orgânicas, banhos de riacho e contemplação do pôr do sol. A experiência conecta visitantes ao processo produtivo e fortalece o vínculo com a marca.

Reconhecimento além da Serra

A certificação Premium RS colocou a Sol das Olivas entre as 14 marcas estaduais que atendem aos mais altos padrões de excelência sensorial e rastreabilidade. Mas o reconhecimento vai além: a distribuição alcança mercados exigentes como Alemanha e Portugal, onde azeites brasileiros ainda disputam espaço com gigantes mediterrâneos.

No mercado nacional, a marca se consolida entre consumidores que valorizam produtos artesanais, rastreabilidade e práticas sustentáveis – nicho em crescimento que prioriza origem e qualidade sobre preço.

Durante a Expointer 2025, a Sol das Olivas celebrou a certificação Premium com evento na Casa Ibraoliva. A programação incluiu harmonizações com vinhos da Vinícola Pedras da Quinta e curadoria do chef Arthur Lazzaroto, reunindo produtores e parceiros do setor.

Com nove anos de história, desafios de infraestrutura superados na persistência e um modelo de negócio que prioriza qualidade sobre volume, a Sol das Olivas representa a olivicultura familiar gaúcha que ganha mercado sem abrir mão de suas raízes. A retomada da safra 2026 e a aposta no olivoturismo na região sul sinalizam que o projeto iniciado em 2015 continua crescendo – devagar, artesanal, mas firme como as oliveiras que o inspiram.