
A Cia. de Dança Afro Daniel Amaro realizou, na segunda-feira (10), uma coletiva de imprensa para tratar das próximas atividades em comemoração dos 25 anos da companhia. Entre oficinas, workshops, cursos, espetáculos e festivais, os eventos se estendem até setembro de 2026, passando por Santa Vitória do Palmar, Bagé, Arroio Grande, Piratini, Rio Grande, além de países da fronteira.
Nascida na Vila Castilhos, periferia de Pelotas, a companhia se tornou referência nacional em dança de matriz africana, tendo viajado por 48 cidades em seis estados brasileiros, além de apresentações no Mercosul. “A companhia surge dessa necessidade que eu vi, com essa experiência de bailarino, por não ver pessoas negras dançando nas escolas. A dança, naquele período, era um privilégio de quem podia pagar”, explicou o fundador da companhia, dançarino e coreógrafo, Daniel Amaro.
Entre as parcerias que marcam as quase três décadas do empreendimento está a Escola Senac Pelotas. O diretor da instituição, Thiago Radmann, reforçou o companheirismo da Cia. de Dança com o curso de gastronomia. “Estamos indo para a 4ª edição do Jantar Performance dos Orixás e todas as anteriores foram um sucesso. Com a chegada dessa parceria, percebemos um maior interesse dos alunos com a culinária africana. Esse movimento que a companhia vem puxando, conectando dança, culinária e cultura afro numa cidade que a gente sabe que tem muito da negritude também, é muito importante”, afirmou Radmann.
Outra iniciativa promovida é a parceria com o Laboratório de Estudos e Pesquisas em Arqueologia (Leicma), da Universidade Federal de Pelotas (UFPel), coordenado pelo professor Lúcio Ferreira. Dessa colaboração surgiu o espetáculo “Arqueologia Também Dança”, que une a dança afro-brasileira à pesquisa arqueológica, uma combinação inédita nas Américas, segundo o docente. A montagem surgiu de uma provocação do laboratório à companhia, transformando achados arqueológicos em parte viva da coreografia.
Durante escavações na Charqueada São João, local de memória da escravidão na cidade, o grupo encontrou uma antiga senzala e objetos pertencentes a pessoas escravizadas. Esses elementos inspiraram a construção da narrativa cênica do espetáculo, que, conforme explica o professor, dá movimento e voz aos objetos históricos, inserindo-os no corpo da performance artística. “Os objetos que escravizados e escravizadas fabricaram ou usaram dançam com os bailarinos. ”, explicou Ferreira.
Mais uma parceria de longa data que reforça o caráter coletivo da companhia é com o Espaço Terapias Corporais Cláudia Weingarten, que há 20 anos acolhe os ensaios, encontros e experimentações da Cia. de Dança. “O espaço da Cláudia talvez tenha sido um dos primeiros locais de yoga em Pelotas. Tivemos a sorte de encontrar pessoas que abriram as portas para a dança afro, criando um ambiente de integração e aprendizado mútuo”, refletiu Amaro.
A professora também destaca a importância da parceria para ampliar a percepção do corpo e da cultura dentro do yoga. “Esse trabalho nos leva a repensar nossas próprias práticas, a recriar e abrir espaços criativos dentro de nós. A dança afro nos ensina sobre inclusão, presença e respeito às diferenças”, contou Cláudia.
Programação comemorativa marca os 25 anos
Durante novembro, a Cia. se apresenta em diferentes cidades. Neste sábado (15), às 16h, leva “A Dança dos Orixás” ao Cerro dos Porongos, em Pinheiro Machado, no evento de Homenagem aos Lanceiros Negros. No domingo (16), às 19h, o mesmo espetáculo é apresentado em Passo Fundo, dentro da programação do Dia da Consciência Negra. Na próxima quinta-feira (20), feriado da Consciência Negra, às 10h, a Cia. apresenta “A Reminiscência dos Tambores do Corpo” na Sociedade Criativa e Cultural 13 de Maio, em Piratini.
Duas noites especiais de transmissão on-line também marcam as comemorações: no dia 28, às 20h, será apresentado “São Lázaro, o Omolú dos Humanos”, obra inspirada em territórios quilombolas e indígenas, focada na ancestralidade e na cura através da natureza. No dia seguinte, às 20h, é a vez de “Arqueologia Também Dança: A Dança de Ogum”, espetáculo que usa a dança para dar voz às culturas afro a partir de pesquisas arqueológicas na Charqueada São João. O momento mais esperado das comemorações acontece no dia 30, às 19h, com a 20ª edição do espetáculo “A Dança dos Orixás” na Charqueada São João. Já no dia 7 de dezembro é realizada a Oficina solidária de Dança Afro-brasileira na Associação de Inativos da Brigada Militar com investimento de 1 quilo de alimento não perecível.
O ano de 2026 traz continuidade às celebrações com cursos de verão de dança de matrizes africanas no Cassino (16, 17 e 18 de janeiro) e no Laranjal (23, 24 e 25 de janeiro), além de uma oficina em Blumenau (SC) entre 7 e 9 de fevereiro. Nos dias 19 e 20 de fevereiro, às 18h, ocorrerá a audição para novos bailarinos no Theatro Guarany, que formarão o elenco do novo espetáculo “A Cia. de Dança Afro Daniel Amaro Dança Luis Melodia”.
Os ensaios começarão em março e a estreia está marcada para 13 de setembro, às 20h. A partir de abril, a Cia. realiza ações de interiorização em Santa Vitória do Palmar, Bagé, Arroio Grande e Rio Grande. No dia 13 de maio, às 19h, ocorrerá a 4ª edição da Performance & Culinária dos Orixás no Theatro Guarany, unindo dança e gastronomia de matriz africana.



