Nos últimos meses, os efeitos da estiagem refletem o cenário vivenciado pela Barragem Santa Bárbara, principal manancial de Pelotas. Na quarta-feira (20), o nível atingiu 4 metros e 13 centímetros abaixo do ideal, sendo o pior da sua história, em 52 anos. Diante da situação, o Serviço Autônomo de Saneamento de Pelotas (Sanep) realizou um planejamento para conter os prejuízos.
Dentre as ações realizadas, de acordo com o diretor-presidente Alexandre Garcia, houve as substituições de algumas tubulações e de bombas dos flutuantes, a iniciação do sistema de bombeamento e a realização de um canal interno, dentro da barragem, por exemplo.
Ainda, foram executadas três escavações de aprofundamento do ponto de captação de água e, ainda, a manutenção da Estação de Tratamento de Água (ETA). A quarta estava prevista para ocorrer na quinta-feira (21), mas por causa dos 22 milímetros de chuva registrado no dia, o Sanep suspendeu a ação. Com a escavação, a água captada no fundo da barragem tem baixa qualidade, e por isso a frequência na limpeza da estrutura aumentou significativamente.
Referente ao tratamento da água na ETA, segundo a autarquia, atualmente, o índice da coloração da água captada (propriedade relacionada à transparência) chega a 2.000uH, o que normalmente corresponde a 160uH. Além de reajustar produtos químicos e incluir novos no processo de tratamento, são realizadas análises de hora em hora para garantir a qualidade da água distribuída às redes.
Já o solo, em situação de seca, permeia a água das chuvas. Porém, com o baixo índice pluviométrico no município, não há capacidade de chegar aos mananciais. Por isso, as chuvas registradas nas semanas anteriores não foram suficientes.
“Nós temos na barragem pouco mais de 260 milímetros [de chuva] nos últimos 200 dias. A seca tem sido muito intensa, mas temos uma boa perspectiva de chuva que possa nos levar a uma condição melhor”, destacou, ressaltando que a partir das ações e das chuvas previstas, será realizado um diagnóstico final com objetivo de analisar os próximos passos. O esperado para o período, de novembro até o momento, era 1,2 mil milímetros de chuva.
ETA São Gonçalo e transposição
Localizada em Capão do Leão, junto ao pórtico de entrada da Universidade Federal de Pelotas (UFPel) na BR-290, a Estação de Tratamento de Água (ETA) São Gonçalo teve o início em 2015, com previsão de conclusão em 2019, porém ainda não foi finalizada. A obra tem custo estimado em R$ 48,5 milhões.

“Obviamente, se estivesse funcionando, como iria tratar 500 litros de água por segundo, teríamos uma condição de abastecimento muito melhor, o que não quer dizer que não passaríamos por dificuldades, porque mesmo em funcionamento, a cidade depende da ETA Santa Bárbara”, explicou o diretor.
Ainda, vista como alternativa por populares, a transposição de água do Canal São Gonçalo para a Barragem Santa Bárbara seria inviável, conforme Garcia, pois há presença de salinidade na água do canal por conta da seca, não estando apta para ser tratada e distribuída como água potável.
“Teríamos que buscar água a, pelo menos, 1 mil metros adiante da Eclusa [barragem]. Para fazer uma tubulação de lá para cá, teria que atravessar a zona urbana e duas BRs, o que seria impossível de fazer. Além disso, uma estação de bombeamento para fazer com que essa água percorra 11 quilômetros até chegar na Barragem Santa Bárbara”, comentou.
Decreto de emergência e de restrição vigentes
Em 4 de março, a prefeita Paula Mascarenhas assinou o decreto de situação de emergência devido à estiagem. O documento descreve a situação em diferentes setores, desde a dificuldade no abastecimento de água por parte do Sanep, até perdas significativas registradas pela Emater, Instituto Rio Grandense do Arroz (Irga) e Secretaria Municipal de Desenvolvimento Rural (SDR), com prejuízos na produção de pastagens, leite, hortifrutigranjeiros, soja, tabaco, milho, feijão entre outros. O decreto entrou em vigor no dia 5 de março, com vigência de 180 dias.

Além disso, desde o dia 26 de fevereiro, foi decretada a restrição no uso de água no município. Com isto, atividades como lavagem de carros e calçadas, regar plantas e molhar pátios estão proibidas, até que haja a recuperação da captação de água bruta da Barragem. Em caso de flagrante de desperdício, a Prefeitura de Pelotas tem a possibilidade de cortar o fornecimento de água naquele local.




