Lá pelos anos 1960… Parte I

Kalunga Mello Neves, escritor, compositor e palestrante. (Foto: Divulgação)

Lá pelos anos 1960, a Zona Sul era de uma nostalgia que só, mas que a gente achava bem legal, ah isso achava. As estradas de chão prevaleciam, e nosso deslocamento de Jaguarão para Pelotas era quase uma viagem épica. Quem tinha automóvel corria o perigo de o carro ter dois ou mais pneus furados no trajeto, além de pane no motor, o que era previsível, sem contar os enjoos provocados por solavancos e o cheiro de gasolina quase insuportável.

Já quem tinha que encarar um bus, a empresa Rainha do Sul fazia a linha. Fora as paradas obrigatórias nas rodoviárias de Arroio Grande e Pedro Osório, ainda tinham aquelas para atender quem ficava à beira da estrada e levantava a mão para o ônibus parar. Aí era um Deus nos acuda!

Subia gente com galinha, porquinho (para descer na parada seguinte), com bolsas imensas contendo ovos, queijo, linguiça, compota de pêssego e tudo o que vocês possam imaginar. E tem outra: podia fumar no interior do veículo. A maioria fumava cigarro de palha, feito na hora. E o banheiro, então. Nem vou comentar. Isso significa que de tudo podia acontecer lá dentro. Nem pensar em ar condicionado. As janelas, quando funcionavam, eram abertas para que o ventinho tornasse menos insalubre o ambiente.

E, assim, a viagem continuava para quatro horas depois, com sorte e sem chuva, pois aí o ônibus atolava, finalmente chegássemos a Pelotas, a ainda progressista Princesinha do Sul.

Vamos continuar na próxima edição?