Em Canguçu, uma vida de amor e apego às tradições gaúchas

Inalda Rodrigues (primeira da esq, para dir.) tem uma vida dedicada às tradições gaúchas. (Foto: Acervo da família)

Aos 63 anos, a servidora pública aposentada Inalda Rodrigues conta que a tradição gaúcha acompanha sua vida desde o berço. “A tradição mora em mim”, diz. O primeiro contato veio em casa, no 3º distrito de Canguçu, onde o pai, Haroldo Rodrigues, foi sócio fundador do CTG Joaquim Paulo de Freitas, no Alto Alegre. “Quando eu nasci, eles já estavam dentro do CTG. Meu pai, minha mãe, meu irmão”, lembra.

O incentivo desde a infância fez com que a cultura gaúcha fosse parte do cotidiano. “Naquela época era muito diferente”, recorda. Em 1980, ao se casar com o também funcionário público Diogo Canez Cardoso, seguiu envolvida. “E aí eu fui participando, sempre, sempre. Depois quando eu casei, meu marido também gosta bastante. Aí depois tive as gurias. A Luciele não gostou, mas a Maiara participou de invernada desde os 4 anos de idade. E nós participamos da invernada Xiru do Joaquim. Acho que é uma coisa bem sadia. A Luciele nunca participou, mas sempre acompanhou a gente nas apresentações da pequena, nas nossas.”

O casal esteve presente em diferentes momentos do tradicionalismo. “Já participamos do CTG Desgarrados, nos fizemos presentes da cavalgada. Um sobrinho foi patrão desse CTG.” A rotina incluía os rodeios, que reuniam famílias inteiras. “A gente tinha as crianças, íamos de barraca, levava tudo, geralmente acampava com a Rosaura Peter, uma amiga irmã que era muito ativa no CTG. Finais de semanas animadíssimos e maravilhosos. De muito trabalho e canseira, mas valia a pena.”

Com o tempo, a presença diminuiu. “Desde a pandemia, não estamos tão ativos”, conta. Ainda assim, a cultura seguiu próxima da família. “Quando eu atuava na Escola Geraldo Telesca, minha filha foi mascotinha da invernada que tinha na época.” Hoje, a caçula, Maiara Rodrigues, continua ligada ao tradicionalismo e vai desfilar no 20 de setembro em Canguçu junto com o marido. Já Luciele Rodrigues prefere os bastidores, mas acompanhou de perto as atividades da irmã.

O desejo de retomar o ritmo continua. “Atualmente quero retornar à participação minha e do meu marido nas invernadas. Cultura gaúcha é sadia”, afirma. Sobre o desfile deste ano, adianta: “Pretendo assistir”.

Na manhã deste sábado (20), Inalda sabe exatamente onde estará: em algum ponto do trajeto do Desfile Farroupilha para assistir bem de perto a passagem dos cavalarianos e conferir a apresentação de piquetes e CTGs.