Morro Redondo, um refúgio na Serra do Sudeste

Prefeito Diocélio Jaeckel (PTB) fala sobre o último ano de mandato no município (Fotos: Divulgação)

Morro Redondo, o pequeno município da Serra do Sudeste com pouco mais de 6,5 mil habitantes, tornou-se uma opção para quem deseja fugir da agitação das grandes cidades e desfrutar, nem que seja por algumas horas, da paz e tranquilidade da zona rural. O turismo foi responsável, no ano passado, por uma arrecadação superior a R$ 1 milhão, segundo o prefeito Diocélio Jaeckel (PTB), e a recepção de 15 mil visitantes, mais que o dobro da população local. “Em 2018, foram entre R$ 700 e R$ 800 mil arrecadados e em torno de 12 mil visitantes”, diz o prefeito. Na sua visão, o município precisa avançar ainda em infraestrutura adequada para receber os visitantes, pois a expectativa dos empreendedores é de um incremento no turismo regional pós-pandemia.

De acordo com ele, há aqueles que vêm para visitar e resolvem ficar, como é o caso de moradores atuais, oriundos de Rio Grande e de outros estados como São Paulo e Rio de Janeiro. O medo da pandemia de Covid-19, já que Morro Redondo teve apenas nove casos suspeitos e até agora todos descartados, é outro fator que tem atraído novos moradores. “É uma vida mais tranquila, segura e isso, não tem preço”, salienta o prefeito.

Jaeckel conta que a ausência de casos, no entanto, não relaxa a prevenção e os cuidados com a higiene e o distanciamento social vem sendo rigorosamente cumprido em todas as esferas do município. Na Prefeitura, o trabalho segue seu ritmo normal e apenas os servidores com mais de 60 anos e os que não residem no município foram dispensados. As comemorações do aniversário de 32 anos, que serão completados no dia 12 de maio, estão canceladas.

Foi formada uma equipe médica para dar atendimento à população e solicitado à 3ª Coordenadoria Regional de Saúde (CRS), em Pelotas, a liberação de 29 leitos no hospital local, que foram desativados desde 2016 por não estarem sendo usados. “Nosso hospital é bem estruturado, com bons quartos e excelentes profissionais e estes leitos serviriam como suporte para não sobrecarregar Pelotas”, diz o prefeito.

Para gerar economia, a prefeitura já adota há dois anos, a redução de horário, o que representa entre R$ 150 a R$ 200 mil por ano, que deixam de sair dos cofres públicos. “A redução de gastos com água, luz e telefone gira em torno de R$ 15 mil por mês”, estima.
Com estes recursos, estão em andamento no município obras de calçamento, atualmente na rua dos Araçás com a avenida Jacarandá, investimento de R$ 410 mil.

Ponte na divisa com Cerrito foi realizada em uma parceria entre prefeituras

O ritmo nas secretarias também é normal, com exceção da Saúde, que mantém plantão diário das 8h às 17h, no atendimento de urgências e emergências e, a Educação, com as escolas fechadas até segunda ordem. A Agricultura tem sido uma das secretarias mais requisitadas, em função das medidas de enfrentamento da estiagem, que castiga toda a Zona Sul do estado. Tanto no milho quanto na soja, as perdas são substanciais e a expectativa inicial, de colher 30 sacos por hectare, se transformaram em sete sacos por hectare ou até menos. “No milho, o produtor não vai conseguir o grão nem para fazer silagem”, lamenta.

Escolas estão sendo reformadas

Até agora, o socorro veio em forma de repasse do Estado, em torno de R$ 80 mil por município da região. A arrecadação do município, tanto no Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) quanto no Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU), teve queda em torno de 90%, no mês de abril. Com isso, o prefeito fica apreensivo com os recursos para honrar compromissos, tais como a folha de pagamento dos servidores, entre outros.

Rua dos Araçás está com pavimentação em andamento

Para socorrer as famílias atingidas pela estiagem, a Prefeitura adquiriu, através da Assistência Social, 90 cestas básicas e outras 40 foram destinadas pela Defesa Civil. “Na última reunião presencial com o governador Eduardo Leite, em 4 de março, solicitei 55 caixas d’água, 600 horas/máquina para fazer açudes, caminhão-pipa de mil litros, além de 200 cestas básicas”, conta.

O município decretou situação de emergência em 17 de janeiro, decreto já homologado pelos governos estadual e federal.

As horas/máquina solicitadas serão usadas para a abertura destes açudes. Com três retroescavadeiras, os funcionários da Prefeitura conseguem abrir em média três açudes por dia, considerando o tempo de deslocamento até as propriedades, sendo que a secretaria de Agricultura tem mais de 200 pedidos registrados. No entanto, a medida só será eficaz se houverem chuvas regulares e, no momento, ocorreram precipitações entre 2,5 e 10 milímetros, o que é pouco. “Seria bom se chovesse 20 milímetros toda semana, chuvas com mais frequência resolveriam”, ressalta.

Ponte na divisa com Cerrito foi realizada em uma parceria entre prefeituras

Para amenizar o problema da falta de água no interior, a prefeitura com o auxílio dos Bombeiros, distribui entre 15 e 16 mil litros de água por dia. São atendidas em torno de 180 famílias para consumo humano e outras 180 propriedades para os animais. Segundo Jaeckel, entra na lista de pedidos de cinco a dez famílias, porém até agora, todas estão sendo atendidas. Dos mais de 6,5 mil habitantes do município, 65% vive no interior.

Além do turismo, Morro Redondo se tornou importante polo de industrialização do pêssego em conserva. Das 11 indústrias conserveiras hoje em atividade na região, cinco delas estão localizadas no município. “Além de um produto de qualidade reconhecida, tipo exportação, estas empresas geram R$ 5 milhões em recursos por safra”, diz. As cinco indústrias juntas produzem 25 milhões de latas de pêssego em conserva por safra.

“Parabenizo o município pelo aniversário de 32 anos e a todos os funcionários, moradores e aqueles que fazem parte desta comunidade, que apesar de todas as dificuldades vem fazendo esforço para manter a cidade em funcionamento, com muita fé, esperança e trabalho seguimos confiantes para que logo tudo possa se normalizar. Devido a diversas dificuldades enfrentadas neste ano, como por exemplo, a estiagem e principalmente a pandemia, não poderemos realizar a festa em comemoração desta data tão importante para nós. Porém isto não tira o mérito de cada cidadão, que não mede esforços para o funcionamento das atividades básicas e necessárias, todos estão de parabéns”

Uma das grandes esperanças do prefeito e da população local é a reabertura do Abatedouro de Aves da Cooperativa Sul Riograndense de Laticínios (Cosulati), fechado desde novembro de 2016. Está na Assembleia, para votação pelos deputados, a concessão de um novo financiamento à cooperativa e entre os planos, está a reabertura do abatedouro. “Este estabelecimento era responsável por 40% da arrecadação do município, além de gerar 200 empregos diretos e mais de mil indiretos, incrementando um grande número de serviços. De 2017 para cá, estamos enfrentando a pior crise dos últimos tempos”, finaliza.