Ex-presidentes

José Henrique Pires licenciado em Estudos Sociais pelo ICH-UFPel, especialista em Políticas Públicas pela Universidade de Salamanca, Espanha, jornalista e radialista. (Foto: Divulgação)

Desde a Proclamação da República, só dois pelotenses foram eleitos governadores: Carlos Barbosa Gonçalves e nosso atual dirigente, Eduardo Figueiredo Leite.

Mas no período monárquico, quando eram nomeados pelo Imperador, com base na Constituição de 1834, o cargo de governador recebia o nome de presidente da Província, e houve outros: João Simões Lopes — o Visconde da Graça (de maio a setembro de 1871), Israel Rodrigues Barcelos (de agosto a setembro de 1868 e de maio a junho de 1869) e, alguns anos depois, seu filho, também pelotense, Miguel Rodrigues Barcelos, futuro Barão de Itapitocai.

Este mês marca 140 anos daquele 20 de setembro de 1885, quando o médico e vice-presidente da Província tomou posse na presidência do Estado, ocupando o cargo por um ano e um mês.

Os vice-presidentes, naqueles tempos, eram nomeados pelas assembleias legislativas e só assumiam a presidência das províncias se houvesse algum impedimento do titular. Foi o que permitiu a posse dos três últimos citados: eram vices e assumiram as titularidades.

Miguel Barcelos, que dá nome àquela rua pequena que desemboca na Catedral de Pelotas, cujo enorme e belo sobrado (onde residia) sedia uma escola estadual e que tem bela estátua em sua homenagem na praça Coronel Pedro Osório, tomou posse em 1885.

Médico abnegado, trabalhando intensamente na Beneficência Portuguesa e na Santa Casa de Pelotas, o Dr. Miguel Barcelos foi – merecidamente – uma das mais relevantes celebridades de Pelotas no século 19.

Ajudava a todos, era médico de ricos e pobres e, após a Proclamação da República, seguiu ajudando muitos, inclusive, de forma intensa, na instalação da recém-chegada Igreja Anglicana, que naqueles tempos se estabelecia em Pelotas e contava com a simpatia e as gestões a seu favor de sua esposa, a Baronesa de Itapitocai, que adotou aquela congregação religiosa com fervorosa devoção.

Quando faleceu, em 1896, seu sepultamento foi acompanhado por uma multidão poucas vezes reunida na cidade naquele século, o que motivou alguns anglicanos a fotografar a população que acompanhou as despedidas. Aqueles registros fotográficos foram enviados e publicados nos Estados Unidos, em um periódico ligado àquela congregação religiosa.

Parece ter sido a primeira vez que saiu em jornal a notícia do sepultamento de um ex-governador gaúcho, com foto da população reunida em sua homenagem — foto jornalística, coisa rara até então.

A primeira vez que escrevi sobre ele, motivado pela visita que seu neto, o famoso pintor e embaixador Sérgio Barcelos Telles, fez a Pelotas, recebi, dias depois, uma informação que não possuía: ele é, ainda hoje, patrono de um importante centro espírita da cidade.

Merece ser lembrado nestes 140 anos de sua posse no comando do Estado.