Produtores de pêssego se preparam para a nova safra: expectativas são otimistas

Adriano Bosenbecker projeta uma safra de aproximadamente 45 mil toneladas na região. (Foto: Adilson Cruz/JTR)

A fase de floração do pessegueiro, além de colorir de rosa a paisagem da região produtora, é o indicativo para os produtores que as plantas saíram da fase de dormência e se preparam para uma nova safra. Com 565 produtores, o município de Pelotas possui 2.630 hectares de pomares de pêssego de indústria e 465 hectares da fruta de mesa. A região produtora, que abrange ainda os municípios de Pelotas, Capão do Leão e Morro Redondo, possui em torno de mil produtores e dez indústrias que juntas processam por safra em média 40 milhões de latas. Somente estes dois setores são responsáveis diretos pelo acréscimo de R$ 350 milhões ao Produto Interno Bruto (PIB) de Pelotas.

De acordo com o chefe do escritório municipal da Emater Pelotas, o engenheiro agrônomo Rodrigo Prestes, até o momento, as condições climáticas estão favoráveis à cultura, e o principal parâmetro são as horas de frio, temperaturas inferiores ou iguais a 7,2ºC que estão dentro da média e ocorreram em quantidade e momento corretos, sem muitas variações de temperatura, diz. “O inverno foi frio sem grandes picos de temperatura o que até momento favorece a floração, além de não ter ocorrido muitos períodos úmidos”, ressaltou.

A florada intensa traz uma expectativa boa para a safra deste ano, ainda que a fase da colheita só comece lá por meados de outubro. “Após a floração e até a seleção dos melhores frutos, o chamado raleio, se consegue quantificar o tamanho da safra”, disse o agrônomo. No momento a atenção dos produtores se volta à primeira adubação e os tratamentos fungicidas preventivos, pois a floração é uma das fases bastante críticas para entrada das doenças nas frutas, segundo a Emater. A maior preocupação gira em torno da ocorrência de geadas tardias.

De acordo com o presidente da Associação dos Produtores de Pêssego da Região de Pelotas, Adriano Bosenbecker, até o final de julho foram registradas 375 horas de frio, bem acima da média histórica, que é de 323 horas e da média que a maioria das variedades precisa, diz. A variedade Esmeralda é a mais cultivada na região, segundo Bosenbecker. Produtor ao lado do pai, Dari Bosenbecker, na Colônia Santa Helena, Rincão da Cruz, 8º distrito de Pelotas, quem anda pela colônia identifica onde estão os pomares de pêssego, pelos campos rosas. “A floração foi muito uniforme este ano o que faz com que o fruto se forme mais rápido e tenha uma uniformidade maior”, afirmou. Isso vem facilitar também o manejo na hora do raleio, que é o próximo ciclo, com frutos num tamanho padrão, ressalta. “É o primeiro bom indício de uma boa safra.”

A florada intensa traz uma expectativa boa para a safra. (Foto: Divulgação)

Nos últimos quatro ou cinco anos, as primeiras frutas para a indústria começaram a ser colhidas no final de outubro e início de novembro, diz. “Este ano tivemos um atraso de 20 a 25 dias na floração e se respeitado o ciclo natural, o movimento nas indústrias deve começar entre 10 e 15 de novembro, a não ser que a fruta adiante, pule ciclos e etapas”, explicou. E isto não é ideal devido ao tamanho do fruto, pois o adiantamento de ciclos pode resultar em frutas mais miúdas, diz. No entanto, Bosenbecker aposta na retomada, nesta safra, na retomada do ciclo natural da fruta, que vinha se adiantando, ano a ano.

Produção e preços

O produtor considera cedo para projetar uma produção, mas arrisca uma projeção de 40 a 45 milhões de quilos. “Eu aprendi com meu pai que flor não é pêssego, mas acreditamos no retorno à normalidade nesta safra”, comentou. Ele registra uma diminuição na produção de 20% a 30% nos últimos anos em razão de fatores climáticos. Nas duas últimas safras, foram colhidos em torno de 33 e 35 milhões de quilos, diz. “Se espera e precisa que ocorra este aumento para em torno de 45 milhões para que os produtores que vêm sofrendo perdas nas últimas safras possam ter uma safra maior e as indústrias possam voltar a ter estoques, já que estão trabalhando no limite”, ressaltou.

O preço para a safra começa a ser negociado com as indústrias após definida a estimativa de safra, o que deve ocorrer a partir de outubro, diz. Na última safra, o preço de R$ 2,20 pela fruta tipo 2 e R$ 2,50 pela fruta tipo 1 pago aos produtores foi considerado bom ou ruim de acordo com a produção de cada um, ressalta. “Quem conseguiu manter uma boa produção, o preço atendeu as necessidades, mas tivemos casos de perdas de 80% da safra, sendo insuficiente para cobrir os custos”, afirmou.

Indústrias da região são responsáveis por 100% da produção nacional de pêssego em calda. (Foto: Vinícius Peraça)

Na sua propriedade são cultivados 30 hectares com pêssego, aproximadamente 20 mil plantas, nas variedades Esmeralda, Maciel, Santa Áurea, Eldorado, entre outras, com trabalho escalonado por idade de plantio. “O pêssego é uma planta perene, que dura de 15 a 20 anos, conforme a condução do pomar, então nós fazemos esta troca a fim de não precisar repor muitas plantas numa mesma safra”, disse. Segundo ele, a planta demora de três a quatro safras para atingir uma boa produção e por isso, a propriedade tem de 13 a 14 mil plantas produzindo por safra para atender a necessidade de colheita de 350 a 400 toneladas. “Fazem duas safras que temos colhido abaixo disso, por causa de problemas climáticos, mas se espera para esta safra atingir este volume”, explicou.

A produção na propriedade que é voltada apenas ao pêssego é profissional. “Temos toda a área com cobertura verde, poda verde em todo o pomar, terminada a colheita, que vai até dezembro, até no máximo fim de janeiro”, comentou. A produtividade da propriedade é praticamente o dobro em relação à da região, que é de seis a sete toneladas por hectare. Os pomares são distribuídos em diferentes locais e 100% irrigados e adubação por fertirrigação.

No ano passado, a Feira do Pêssego comercializou 4,8 mil toneladas. (Foto: Michel Corvello)