Abrahão Costa: a responsabilidade de transportar a mais preciosa das cargas

Costa é responsável por transportar estudantes pelo interior de Pedro Osório há cinco anos. (Foto: Celestino Garcia/JTR)

Em meio às estradas de chão batido e os cenários bucólicos do interior de Cerrito, uma figura essencial e muitas vezes invisível garante que centenas de crianças e adolescentes cheguem à escola todos os dias: o motorista do transporte escolar rural.

Um destes trabalhadores é Abrahão Costa, que há cinco anos percorre os caminhos rurais do município. “A minha jornada como motorista escolar começa um pouco antes das 5h, quando levo os alunos até o ônibus intermunicipal que vai para as escolas de Pelotas. Esses alunos são os mais avançados, mas que já viajaram comigo desde o Ensino Fundamental e Médio”, contou com a familiaridade de quem vê o tempo passar pelos bancos de sua van escolar.

Costa ressalta a dualidade da profissão. “Essa profissão tem seus dias difíceis e dias muito legais, porque exige muita atenção do motorista por estar levando a joia mais importante de cada família até a escola. Quando um pai ou uma mãe coloca seu filho no transporte, eles têm certeza que nós iremos leva-los e trazê-los com toda atenção e cuidado necessários”.

Os desafios, segundo Abrahão, são constantes, especialmente com as condições climáticas. Os dias de chuva, neblina e barro nas estradas, são aqueles que exigem atenção redobrada. Mas a recompensa para esses percalços vem em momentos singulares como quando reencontra ex-alunos que transportou e é recebido com carinho e um abraço afetuoso.

Ele também destaca a importância de seu papel para os pequenos. “Os primeiros dias das crianças na Pré-Escola, são dias que temos de ser mais do que motoristas, viramos pai, mãe e até contador de histórias para que a criança não tenha medo e comece a gostar de ir para a escola. São crianças de quatro anos, que sempre ficaram com sua família e, agora, têm que enfrentar a mudança da rotina e cercadas de pessoas estranhas. É preciso compreender isso”, comentou.

Há cinco anos na profissão, Costa se diz grato por fazer parte da história de vários estudantes e suas famílias e não tem dúvidas de cumprir uma missão essencial por conectar o campo à educação, enfrentando as intempéries e as particularidades das estradas do interior com resiliência e dedicação.