Os Kneib: três décadas dedicadas a produção leiteira em São Lourenço do Sul

Família Kneib, da localidade de Santa Isabel, mantém há 30 anos uma proprie-dade dedicada a produção leiteira com mão de obra familiar (Foto: Tatiane Klumb)

Com uma produção de 46,6 milhões de litros/ano, o município de São Lourenço do Sul é o quarto maior produtor de leite do Rio Grande do Sul. Esse resultado tem suas raízes no trabalho de famílias que, há décadas, se dedicam a pecuária de leite e, apesar de todas as dificuldades impostas, não desistem da atividade.

Uma destas famílias é a Kneib, da localidade de Santa Isabel, que há 30 anos mantém uma propriedade dedicada a produção leiteira com mão de obra familiar. Hoje, José Kneib divide o trabalho com a esposa Rosane, o filho Marcelo e a nora Daiane.

“Nós ordenhamos um de noite, eles ordenham de manhã. No final de semana a gente divide também. Em um final de semana a gente ordenha de manhã e de noite, outro final de semana eles ordenham”, explica José Kneib.

Pela divisão de trabalho, Marcelo e Daiane também são responsáveis por cuidar os animais e tratá-los, enquanto Daiane também se responsabiliza pela inseminação artificial das vacas. José cuida das pastagens e da disposição da cerca elétrica, enquanto Rosane é responsável pela higiene da sala de ordenha.

A opção pela produção leiteira veio depois de a família encontrar dificuldades para manter as lavouras de soja, batata, milho e feijão. “A gente começou ordenhando três vacas, à mão, o que rendia um tarro de mais ou menos 30 litros. Era preciso levar o leite até a estrada, porque era bem pouquinho e o leiteiro nem entrava aqui. Naquela época, com o leite que vendemos nos três primeiros dias, conseguimos fazer um rancho e ainda pagamos um tarro”, contaram.

O resultado serviu de incentivo e apesar do começo difícil, a produção foi crescendo e atualmente a família ordenha mais de 50 vacas, com produção média de trinta litros por vaca. Ao longo dos anos também investiram em maquinário e em uma sala de ordenha, além de espaço para as vacas se alimentarem que pode ser abastecido mecanicamente, que pôs fim a antiga atividade de colocar a silagem em sacos. Atualmente a família Kneib faz parte do grupo de aproximadamente 800 produtores da região que fornecem leite para Coopar Pomerano.

Apesar da boa produtividade, os Kneib enfrentam alguma dificuldade no manejo do rebanho por falta de área. “Seria interessante ter campo para deixar à vontade no pasto as novilhas e as vacas secas. No início era mais folgado, mas agora que gente tem um pouco mais de animais se torna mais difícil” comentou.

Para compensar a falta de área e auxiliar nesse controle dos animais, a família planeja criar um espaço para confinar os animais. Além disso, o galpão de confinamento também poderá proteger as vacas das intempéries. “Hoje a vaca de alta produção sente muito, tanto no verão como no inverno. No verão, por causa do calor excessivo, e no inverno tem a questão dos dias seguidos de chuva, que aumenta o barro no campo” explicou Marcelo Kneib.

Futuro da propriedade está garantido

Com a decisão de Marcelo e Daiane em seguir na atividade, o futuro da propriedade familiar está garantido e a tradição dos Kneib deve perdurar por mais algumas décadas.

Os planos são de aumentar ainda mais a produção no futuro e Marcelo não descarta a ideia de contratar mão de obra extra para auxiliar no serviço. “Não é todo mundo que suporta a atividade de produzir leite porque não é fácil. Todos os dias tem que seguir a rotina. Faça sol, faça chuva, não interessa se é feriado ou domingo, as vacas não querem saber se a pessoa não está muito bem ou se está chovendo e quer dormir um pouco mais.”

Diante do trabalho pesado e de um mercado nem sempre favorável, Marcelo assente que que para ficar na produção leiteira, o mais importante é gostar do que se faz. “O leite é muito instável de preço, então nem sempre vai te dar o retorno financeiro esperado. E, hoje, o insumo é muito caro, desde a ração, que a gente gasta bastante, até os medicamentos. Tem que gostar de trabalhar com os animais, de cuidar dos terneiros, do manejo em geral. Se não gostar de fazer isso, vai fazer mal feito ou não vai estar feliz na atividade”, afirmou.

O patriarca da família complementa o relato do filho, relatando que no decorrer do ano os custos de produção são altos e há uma necessidade constante de investimentos que vão desde a produção da silagem até a manutenção do maquinário. “Mas eu tenho muita satisfação de trabalhar com as vacas, eu sempre gostei muito, por isso que eu optei de parar com o fumo e seguir com o leite”, disse.