Aumento das doenças respiratórias e problemas de gestão hospitalar geram crise na região

(Foto: Camila Rodrigues)

No dia 18 de julho, a Prefeitura do Rio Grande decretou Estado de Emergência em Saúde Pública por causa do aumento no número de casos e óbitos por Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) e a superlotação dos serviços de saúde, especialmente nas UTIs geral, pediátrica e neonatal, além da falta de leitos de retaguarda. Com a medida, subiu para três, o número de municípios da região em Estado de Emergência em Saúde Pública, os outros dois são Pelotas e São Lourenço do Sul.

Dias depois de declarar crise em seu sistema de saúde, Rio Grande contabilizou a 30ª morte por SRAG e atingiu a marca de 188 pacientes hospitalizados em decorrência dessa síndrome.

O superintendente de Atenção Especializada, Marcos Lemões, atribui o aumento no número de mortes à negligência quanto ao contágio e gravidade das doenças. “As pessoas mantêm o contato mesmo estando com sintomas respiratórios, devemos ter os mesmos cuidados quando estávamos com a Covid-19 em alta”, explicou. “E, quando elas buscam pelos serviços de saúde, já estão com sintomas mais graves. Falta conscientização da sociedade para o agravamento das doenças respiratórias no Estado”, acrescentou.

O decreto permite maior agilidade em ações, como compra de medicamentos, aumento no horário das equipes e contratação de novos leitos. Além disso, um grupo de trabalho (GT) avalia a taxa de ocupação de leitos e organiza, junto a regulação municipal e aos hospitais, os casos prioritários para internação. O GT também criou normativas para a capacitação da rede de profissionais da Secretaria Municipal de Saúde (SMS), a fim de qualificar os encaminhamentos das Unidades Básicas de Saúde (UBS) para as Unidades de Pronto Atendimento (UPA).

UPA Areal é uma das portas de entrada para atendimentos de casos de doenças respiratórias em Pelotas. (Foto: Rodrigo Chagas)

Internação domiciliar e UBAIs aliviam pressão nas emergências de Pelotas

Pelotas está em emergência desde o dia 30 de maio, mês em que 661 pacientes com SRAG foram atendidos no Pronto Socorro (PS) da cidade. O aumento de casos sobrecarregou a Rede de Urgência e Emergência (RUE), lotando o PS e a UPA Ferreira Viana – principais portas de entrada para Unidades de Tratamento Intensivo (UTI) e leitos clínicos.

Através da Operação Inverno são executadas medidas extras, como o programa PS Cuida Mais, no qual são realizados internações domiciliares de pacientes do PS. “O paciente interna a domicílio e faz tratamento com antibióticos endovenosos, medicações mais fortes e com prescrição médica. Se o paciente internou em casa e piorou, ele retorna para o PS”, explicou o diretor do Rede, Marcelo da Rosa.

Outra medida é a extensão dos horários de atendimento das Unidades Básicas de Atendimento Imediato (UBAIs), das 18h à meia-noite e das UBSs Bom Jesus, PY Crespo, Salgado Filho, Sansca, Simões Lopes e Barro Duro até às 21h.

“Os pacientes conseguem consultar na Atenção Primária, evitando agudizar e dar entrada na RUE”, acrescentou.

Além disso, a vacinação contra a gripe continua sendo prioridade em Pelotas. “Acredito que esse ano a adesão às vacinas foi melhor do que no ano passado. Também notamos que, junto com as outras medidas, a vacinação evitou que muitos pacientes procurassem atendimento e, se procuraram, essa condição foi leve ou moderada”.

Também há um plano de aumento de leitos, da SMS, que lançou seu segundo edital após a baixa adesão da primeira versão do documento. Até o momento, o edital teve a adesão da Clinicamp – quatro leitos clínicos, dois de UTI e um de isolamento – e da Santa Casa de Pelotas – dez leitos clínicos e mais dez de UTI.

Prefeitura de São Lourenço do Sul busca recuperação da Santa Casa

Com da Santa Casa, São Lourenço do Sul está em emergência desde 24 de junho. No dia 18 deste mês, o prefeito Zelmute Marten (PT) se reuniu em Porto Alegre com o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, a secretária estadual de Saúde, Liziane Fagundes, e o superintendente do Grupo Hospitalar Conceição, Gilberto Barrichello.

Na ocasião, foi tratada a implementação de ações para um plano de recuperação do hospital. “A Santa Casa não tem conseguido efetivar os seus compromissos estatutários, especialmente os itens, que tratam de finalidades básicas da associação”, relatou o prefeito. “São evidências tanto em relação ao descumprimento ao estatuto quanto em relação à desassistência da população. Precisamos iniciar uma transição para que o município possa coordenar os trabalhos de recuperação da instituição juntamente com o Estado e a União”.

O deslocamento de pacientes que não podem ser atendidos pela Santa Casa de São Lourenço do Sul para hospitais de municípios vizinhos continua sendo executado como plano de contingência, a fim de tentar minimizar os impactos da crise do hospital.

Prefeito Zelmute Marten (PT) discute a intervenção da gestão da Santa Casa com governos estadual e federal. (Foto: Reprodução)