
A movimentação de empresas em busca de áreas para expansão ou instalação de novos empreendimentos tem animado as comunidades da Zona Sul do estado. Arroio Grande, Rio Grande e Piratini são exemplos de cidades prospectadas para receber projetos, que envolvem tanto empresas de setores tradicionais da economia gaúcha, como a indústria calçadista, como companhias do segmento de energias renováveis. Diante da possibilidade de uma virada de chave no panorama econômico regional as gestões municipais se desdobram para tentar criar ambientes favoráveis à chegada de novos empreendimentos.
Rio Grande aparece como potencial sede de um dos primeiros parques de energia eólica offshore do Brasil, um tipo de geração limpa que utiliza ventos em alto-mar. O secretário de Desenvolvimento, Inovação, Turismo e Economia do Mar, Vítor Magalhães, afirma que o empreendimento representa uma transformação na economia local.
“Enxergamos isso com muita esperança, mas não só para a cidade, mas para o Estado, o país e até o planeta, porque se está tratando de geração de energia limpa. Estamos falando de um investimento estimado em nove bilhões de dólares, que exigirá estaleiros, navios e mão de obra qualificada. Isso muda o perfil da cidade e movimenta toda a cadeia produtiva ligada à indústria naval e energética”, explicou.

Vários projetos estão em análise, mas ainda aguardam regulamentação federal para avançar. Segundo Magalhães, a prefeitura realiza reuniões semanais com os desenvolvedores e atua junto ao governo federal para destravar os processos, mas ainda não há previsão de início de obra.
A expectativa é que Rio Grande se torne uma base estratégica para a montagem e operação dos aerogeradores offshore, quatro vezes maiores que os convencionais, além de atrair empresas internacionais interessadas em consumir essa energia de forma conjunta à produção industrial.
“Olhamos esse empreendimento com bastante expectativa, para que a gente consiga viabilizar isso da forma mais rápida possível, porque as pessoas precisam de emprego, a cidade precisa de emprego. Precisa ter dinheiro circulando na nossa economia”, afirma Magalhães.
Piratini se prepara para receber parques eólicos de grande porte
Piratini também se insere no mapa de grandes investimentos em energia renovável. O município está em fase avançada de tratativas para a construção de três parques eólicos, que juntos somam investimentos bilionários e devem gerar mais de mil empregos diretos apenas no primeiro projeto, segundo o vereador Jimmy Carter (MDB), presidente da Frente Parlamentar em Defesa das Energias Renováveis.
“O projeto está sendo planejado há anos. Já temos a licença ambiental prévia e contamos com apoio de investidores internacionais. Só a empresa Renobrax prevê iniciar as obras entre 2026 e 2027, com investimento inicial de quase R$ 2 bilhões”, disse.
A prefeitura elaborou uma legislação específica de incentivo à instalação de parques eólicos e trabalha com o governo estadual para garantir melhorias logísticas, especialmente nas estradas que darão acesso às áreas de instalação. A previsão é que os parques Eldorado e Farroupilha sejam construídos no 3º e 4º distritos.

A comunidade será diretamente beneficiada com a geração de empregos, qualificação e programas sociais vinculados ao projeto. O vereador explica que reunindo os projetos das empresas Renobrax, RDS Energias Renováveis, EPCOR Energia e EDP Renováveis, os investimentos chegam a R$ 5 bilhões. “Essa é uma oportunidade histórica para o município. Temos que aproveitar o momento para desenvolver Piratini de forma sustentável e inclusiva”, reforçou.
Arroio Grande aposta na indústria calçadista para impulsionar geração de emprego
Em Arroio Grande, a confirmação da instalação da fábrica Zenglein, tradicional no Vale dos Sinos, marca um momento importante para a economia local. O prefeito Neto Pereira (PDT) destaca que o projeto foi possível graças à articulação direta da prefeitura com a direção da empresa e à oferta de contrapartidas por parte do município.
“Sabemos que a geração de empregos é uma das maiores demandas da nossa população. Por isso, apresentamos uma proposta concreta para tornar Arroio Grande uma opção viável para a instalação da empresa”, afirmou.
A estimativa inicial é de 40 empregos diretos, com a expectativa de ultrapassar cem vagas até o final de 2025. O prédio que abrigará a unidade já está definido e passará por adequações para, em seguida, iniciar o processo de contratação via Sine e os treinamentos da equipe. O município ainda prevê crescimento contínuo do setor, o que pode atrair outras empresas para a região.

Além da fábrica de calçados, Arroio Grande também aposta em outros projetos estratégicos, como a possibilidade de reativação de um frigorífico voltado à ovinocultura e a instalação de uma fábrica de fraldas e absorventes no bairro Promorar, com impacto social no acolhimento e fortalecimento da autonomia de mulheres vítimas de violência, com atenção especial às sobreviventes de feminicídio. A fábrica atenderá de forma contínua creches, escolas, unidades de saúde e programas sociais com produtos de higiene essenciais.



