Uso de álcool responde por 65% dos atendimentos em saúde mental do CAPS AD em Canguçu

Debate foi promovido nesta quarta-feira (9). (Foto: Liziane Stoelben/JTR)

A Câmara de Vereadores de Canguçu realizou, na tarde desta quarta-feira (9), uma Audiência Pública para discutir políticas municipais sobre drogas, com foco em prevenção, tratamento e repressão. O debate, proposto pelo vereador Ritieli Sampaio (Republicanos), reuniu representantes da Brigada Militar, do Centro de Atenção Psicossocial (CAPS), do Conselho Tutelar e das secretarias de Saúde e Educação, em um diálogo que expôs avanços e desafios enfrentados no município.

A coordenadora dos Serviços de Saúde Mental de Canguçu, enfermeira Andreia Coelho Bettin, apresentou dados que chamaram a atenção: 65% dos pacientes atendidos têm o álcool como principal problema, enquanto 32% fazem uso de múltiplas drogas. Segundo ela, em 97% dos casos o álcool está presente, mesmo quando não é a substância principal. “Devemos tratar o problema das drogas como um sintoma social. Por isso, é necessária uma articulação intersetorial”, afirmou.

O tenente Muller, da Brigada Militar, ressaltou a intensa circulação de drogas na região sul do Estado. “Estamos acompanhando, na parte da repressão policial, uma grande quantidade de drogas sendo apreendida na nossa região, como em Pelotas e Rio Grande. Isso mostra que circula muita droga por aqui. Em Canguçu, durante o policiamento ostensivo, realizamos prisões em abordagens. Até este mês, já fizemos 13 prisões e apreensões de crack, cocaína e maconha”, relatou. Entre as ações preventivas, o soldado Miranda destacou o trabalho do Proerd, programa de prevenção ao uso de drogas em escolas.

A secretária de Educação, Ana Cristina Dias, defendeu a escola como espaço de conscientização e prevenção. “A questão das drogas avança cada vez mais e isso preocupa nós, educadores. Começamos a perceber sinais na escola e precisamos de ajuda. Nada melhor do que unir instituições e forças para vencer essa batalha”, disse. Ela destacou que o município precisa ampliar as opções de atividades para crianças e jovens, especialmente esportivas. “Estou buscando possibilidades no ginásio, desafiei o núcleo de esportes para oferecer aulinhas de futebol e abrir novos caminhos.” Ana Cristina também citou a Escola Getúlio Vargas, de tempo integral, como exemplo: “Pela manhã, são passados os conteúdos básicos, e à tarde há oficinas de xadrez, dança, esportes. Estamos avançando.”

A audiência não definiu propostas concretas, mas reuniu diferentes setores para debater o tema. Enquanto o Gabinete de Gestão Integrada (GGI) defendeu maior rigor na repressão, representantes do CAPS e do Hospital de Caridade de Canguçu (HCC) reforçaram a necessidade de ampliar os serviços de saúde mental.