
Até o início dos anos 2000, o Carnaval foi o maior evento cultural realizado em Pelotas. Os números da festa eram impressionantes e incluíam 47 entidades carnavalescas com média de 800 participantes cada, mais de cem mil pessoas na Passarela do Samba em três noites de desfiles e, aproximadamente, 700 empregos diretos temporários gerados nos barracões de escolas de samba, escolas e blocos mirins, blocos burlescos e bandas carnavalescas. Isso sem falar nos concursos de fantasias e bailes realizados pelos clubes sociais.
Um levantamento feito pela Associação das Entidades Carnavalescas de Pelotas (Assecap) no Carnaval de 2013, último realizado no modelo de organização e subvenções 100% públicas, mostrou que as agremiações gastaram R$ 500 mil no comércio local para montar seus desfiles e geraram uma média de 20 empregos diretos, cada uma, pelo período de 90 dias antes do Carnaval.
“A partir de 2013 esse modelo tradicional com investimento público perdeu força a partir de uma visão do Poder Público de que o Carnaval gerava despesa e tirava recursos de outras áreas como a saúde. As entidades tentaram reverter essa situação com investimentos privados, mas ainda não conseguiram bons resultados. Neste meio tempo surgem novos modelos de carnaval, como os blocos espontâneos, o que torna o ambiente mais desafiador ainda para as entidades”, analisa o presidente da Assecap, Edson Luís Planela.
Cadeia produtiva
A nova organização das agremiações aliada a retomada dos investimentos públicos começa a recuperar o Carnaval e o impacto da festa mais popular do país já começa a ser sentido na economia local. De acordo com os números da Assecap a edição 2025 envolveu aproximadamente 50 mil pessoas, entre participantes e público nos três dias de festa na Passarela do Samba.
Muito além do pessoal ocupado na montagem das estruturas, na produção e apoio, a festa teve impacto direto na criação de postos de trabalho. A conta feita por Planella é de que cada entidade gere 20 empregos temporários diretos, o que contabiliza um total de 420 pessoas ocupadas. O reflexo indireto, todavia, é muito maior.
“São costureiras, bordadeiras, fornecedores de camisetas, abadás, ou seja, toda uma cadeia de prestadores de serviços variados são envolvidos. Cada escola de samba recebe cerca de R$ 65 mil de subvenção, mas nenhuma gastou menos do que R$ 110 mil para levar seu desfile para a avenida. As bandas que receberam R$ 8 mil investiram R$ 30 mil reais, isso significa que a subvenção volta para a comunidade na forma de movimento no comércio e serviços. Essa é uma cadeia que pode crescer ainda mais com o incremento dos recursos e o fortalecimento dos eventos do Carnaval e esperamos que isso aconteça já a partir de 2026”, afirmou Planella.




