Nova geração de cafeterias aposta em qualidade, ambiente e identidade em Pelotas

Novas cafeterias aliam propostas de experiências gastronômicas com espaços adequados para quem quer passar alguns momentos entre amigos ou até trabalhar fora de casa. (Foto: Lylian Santos/JTR)

O cenário das históricas cafeterias de Pelotas está mudando. Muito além de um hábito cotidiano, o café virou experiência e a cidade tem ganho empreendimentos que inovam sem perder a referência da tradição e o aconchego, enquanto oferecem experiência gastronômicas em um ambiente propício para o trabalho remoto.

Um exemplo é o Leve Café, onde há cinco anos, gastronomia e conforto caminham juntos. Idealizado pelo chef Ricardo Hernande, surgiu da vontade de atuar em um ambiente diurno e de oferecer ao público uma proposta diferente. Por ali, o destaque está na combinação entre cafés especiais e o conceito de “baixa gastronomia”: pratos simples, mas bem executados.

“Nosso cardápio é um dos maiores diferenciais. Trabalhamos com cafés especiais em parceria com a torrefação Differ Coffee, de Arroio Grande, e oferecemos uma variedade de comidas bem elaboradas”, comentou.

Cliente frequente do Leve Café, a designer Alice Almeida, conta que prioriza a qualidade do café acima de tudo, mas sempre busca ambientes calmos para trabalhar remotamente. “Comecei a frequentar cafeterias com mais frequência há seis anos e de lá pra cá já foram cerca de 15, só em Pelotas”, afirmou.

O destaque está na combinação entre cafés especiais e o conceito de “baixa gastronomia”: pratos simples, mas bem executados. (Foto: Lylian Santos/JTR)

O olhar da gastronomia
Para a professora Ângela Galvan, coordenadora do curso de Gastronomia da UFPel, a cidade vive um momento de expansão e reinvenção. “Hoje o consumidor encontra cafeterias mais tradicionais que mantêm seu valor histórico, enquanto as novas apostam na especialização e na experiência do cliente”, disse.

Ângela observa que o café deixou de ser apenas uma bebida para se tornar um ritual cultural e sensorial. “Os consumidores querem saber a origem do grão, o método de preparo ideal e viver isso em um ambiente acolhedor. Algumas cafeterias de Pelotas fazem isso muito bem, contando histórias através da decoração, da música e da proposta do espaço”, destacou. Para ela, uma cafeteria inovadora vai além do produto e oferece propósito, bom humor e acolhimento, com atenção às tendências alimentares.

Cafeterias investem em modos de preparo diferenciados e novos acompanhamentos. (Foto: reprodução)

O queridinho dos estudantes
A transformação das cafeterias em Pelotas passa também por propostas criativas como a do Díade Café. Fundado por Etienne de Oliveira e seu sócio André Vestfahl, o espaço nasceu do desejo de oferecer uma experiência completa. “Sempre gostamos muito da experiência de tomar café fora de casa, e percebemos que Pelotas tinha demanda por isso. Nossa proposta surgiu justamente para oferecer algo diferente e com bom custo-benefício”, contou Etienne.

Desde a inauguração, em 2021, o Díade apostou no formato to-go, mas a grande recepção do público motivou a ampliação do espaço físico. Estudantes universitários são maioria entre os frequentadores, mas a diversidade marca o ambiente: jovens, adultos e idosos dividindo o espaço. “Criamos um ambiente onde as pessoas se sintam bem, fiquem para trabalhar, estudar, e se conectem”, afirmou.

Café como extensão do trabalho
Ariela Leite, frequentadora assídua de cafeterias há seis anos, destaca que a experiência vai muito além da bebida. Para ela, fatores como acolhimento, atendimento e ambiente funcional pesam tanto quanto a qualidade do grão. “Quando tu busca o café, no meu caso, principalmente, é pra estudar ou trabalhar. Precisa ser um lugar aconchegante que te permita desenvolver algo além de comer e beber”, disse.

“O café virou esse espaço onde tu vê movimento, escuta conversas, observa e isso alimenta o processo criativo”, afirmou.

O movimento de transformação das cafeterias em Pelotas também é observado pelo professor Carlos Folle, sommelier e professor do Senac. “O consumidor hoje busca qualidade, métodos diferentes de preparo e um atendimento mais qualificado. Isso tem gerado um impacto positivo tanto na cena gastronômica quanto na economia local”, destacou.

Café com memória afetiva
Outro exemplo é a cafeteria do Engenho, que funciona junto ao São Paulo – Bazar Cultural e Café. “Nosso maior pilar é a experiência. Desde a decoração com elementos nostálgicos, ao atendimento, as receitas autorais de tortas e cafés, tudo é pensado para proporcionar uma vivência completa”, explicou o proprietário Fabrício Bassalobre.

A cafeteria oferece 28 combinações de cafés especiais, em parceria com uma torrefação local, e se destaca por métodos como o V60 com grãos de notas achocolatadas e de nozes.
À medida que os cafés deixam de ser apenas bebidas e se tornam vivências, Pelotas se estabelece como um terreno fértil para quem deseja sentir, saborear e se conectar com o mundo por meio de uma xícara. Como afirma o professor Folle, o futuro das cafeterias na cidade depende da busca contínua por qualidade, criatividade e adaptação. “Há um público crescente interessado em viver essas experiências. A cafeteria que entende isso, se destaca”.

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