
A família de Antonio Caringi deu início a projeto de educação patrimonial e valorização da identidade cultural vinculada à obra do escultor, que neste ano completaria 120 anos. As iniciativas são coordenadas pela neta e gestora do legado do artista, Antonella Caringi.
“Meu trabalho é vincular o nome do artista à obra. Dentro da lei de direitos autorais, existe o direito moral do artista, que não termina nunca. Então, citar o nome do artista é muito importante para a educação patrimonial e para que se possa identificar nas ruas a história desse artista e fazer com que essas obras não sejam destruídas, sejam respeitadas”, afirmou Antonella.
Neste ano comemorativo, iniciativas como a exposição “Revivendo Antonio Caringi – 120 anos” e a criação do site oficial www.antoniocaringi.com.br trazem à tona acervos inéditos, relacionados a produção de Caringi entre 1934 e 1944, revelando novos aspectos de sua genialidade.
Conforme a gestora, seu esforço também se volta para iniciativas práticas, como a busca por empresas que adotem praças com obras de Caringi, como a que abriga o Monumento ao Colono, visando a revitalização e iluminação do espaço.
Apesar do legado do artista se manter vivo em cidades como Porto Alegre – onde esculpiu o maior símbolo dos gaúchos, o monumento O Laçador, além do Monumento ao Expedicionário e a estátua de Bento Gonçalves -, Caxias do Sul, Laguna e outras cidades, é em Pelotas que a história do artista teve início. É na cidade, também, que as esculturas de Caringi formam um verdadeiro museu a céu aberto. O vandalismo e o abandono, no entanto, acabam colocando em risco o patrimônio deixado pelo escultor.
“Conhecer o passado é como ter um mapa nas mãos: ele nos mostra origens, erros e acertos. Pelotas tem um enorme potencial de reuso inteligente do seu patrimônio, casarões que podem virar espaços culturais, educativos, coletivos criativos; praças e monumentos que, se ativados com cuidado e afeto, se tornam vivos novamente. Um futuro sustentável também se faz com memória, com respeito ao que já foi construído”, destacou a professora de história Suéllen Cortes, ou Prof Suka, como é conhecida através das redes sociais.
Em Pelotas, somente na praça Coronel Pedro Osório, estão presentes quatro obras fundamentais de Caringi: o monumento ao Coronel Pedro Osório, o monumento às Mães, o busto do Dr. José Brusque e o busto do Dr. Amarante. Além destas, destacam-se o monumento ao Colono, na praça 1º de Maio, o monumento ao Bispo Dom Joaquim Ferreira de Melo e o Bombeador, no Fragata. Além de obras em cemitérios, como os da Santa Casa em Pelotas e o São Miguel e Almas em Porto Alegre.



