
Desde o ano passado, com a promulgação da Lei nº 14.870, o dia 12 de julho passou a ser o Dia Nacional do Produtor de Leite. E isso não é por acaso: o leite é considerado um produto relevante na pauta econômica nacional, tanto pela produção em pequena escala dos agricultores familiares quanto pela industrialização realizada pelos laticínios para abastecimento interno e exportações. O Brasil é o terceiro maior produtor mundial de leite, com crescimento médio anual de 4% a 5%, segundo informações da Agência Senado.
Dados do Sindicato das Indústrias de Laticínios do Rio Grande do Sul (Sindilat/RS) reforçam essa importância também no estado, apontando um cenário de crescimento contínuo. De 2004 a 2023, a produção de leite no Rio Grande do Sul aumentou 74,33%. O volume, que era de 2,36 bilhões de litros por ano, passou para 4,11 bilhões de litros anuais — o equivalente a 11,63% da produção nacional.
O Rio Grande do Sul possui 122,07 mil produtores de leite e 247 indústrias de laticínios (com registro no SIF, Cispoa e SIM). Desse total, 33.019 produtores comercializam leite cru para indústrias, cooperativas ou queijarias. Ao todo, 1,04 milhão de vacas são ordenhadas diariamente, colocando o estado como o terceiro maior produtor do país. Dos 497 municípios gaúchos, apenas quatro não possuem produção leiteira.
Na Zona Sul, de acordo com a assistente técnica regional de bovinos de leite da Emater Regional Pelotas, médica veterinária Mara Saalfeld, a cadeia produtiva está organizada. Segundo ela, os municípios da região são responsáveis por quase 41% da produção estadual, sendo São Lourenço do Sul — onde atua a cooperativa Coopar Pomerano — o quarto maior produtor de leite do estado.
Momento positivo para a produção leiteira na região
De acordo com Mara Saalfeld, a cadeia produtiva vive um momento favorável, com aumento da produção e da produtividade, boa disponibilidade de pastagens, clima adequado e investimentos expressivos por parte dos produtores na perenização das pastagens.
Segundo dados da Emater, entre 2015 e 2023, o número de produtores de leite no estado caiu de 84 mil para 33 mil. Ela acredita que essa redução esteja relacionada à Instrução Normativa 7677, que impôs uma série de exigências para habilitação na atividade, como o uso de resfriadores a granel, o que muitos não conseguiram atender. “Em 2024, no entanto, houve uma estabilização e até aumento no número de produtores”, ressaltou.
Durante a Expointer 2025, que ocorre entre os dias 30 de agosto e 7 de setembro, a Emater deve lançar uma edição atualizada do Relatório da Cadeia Produtiva do Leite, publicado a cada dois anos.
Dos 22 municípios atendidos pela Emater, 16 planejam a atividade de bovinocultura leiteira. Em 2023, esses municípios somavam 1.447 produtores, número que caiu para 1.309 em 2024. Já os produtores assistidos diretamente pela Emater Regional passaram de 529 em 2024 para 525 em 2025 — uma queda considerada pequena, segundo Mara. Apesar disso, a produção não diminuiu; ao contrário, há expectativa de crescimento.
“Muitos produtores estão retornando, diante da instabilidade em outras atividades. Diferente de outras culturas, a produção leiteira exige uma estrutura complexa — local adequado para os animais, pastagem e manejo, sala de ordenha, entre outros. Muitos ainda faziam ordenha manual, o que praticamente não existe mais. Os produtores precisaram se atualizar e se equipar”, explicou.
Entre as vantagens da atividade, ela destaca que o leite proporciona uma renda mensal ao produtor, diferente de culturas como o fumo e a soja, que têm boa rentabilidade, mas apenas em uma colheita por ano.
Milk Summit Brazil 2025
Um grande evento está marcado para outubro no estado. Trata-se da primeira edição do Milk Summit Brazil, que promete ser o maior encontro do setor leiteiro do Sul do Brasil.
A programação será apresentada oficialmente no dia 12 de julho, em comemoração ao Dia Nacional do Produtor de Leite, com início às 8h, no Auditório do Sicredi, junto ao Centro Administrativo da Sicredi das Culturas RS/MG, em Ijuí (RS). O evento reunirá indústrias, cooperativas, produtores, técnicos, autoridades e representantes de instituições ligadas à cadeia produtiva do leite.
A data foi escolhida por seu simbolismo e representatividade. “Daremos a largada para o Milk Summit Brazil 2025 com a apresentação da programação, construída para oferecer conteúdos relevantes e, ao mesmo tempo, valorizar e conectar os protagonistas da produção leiteira”, destacou Darlan Palharini, coordenador do evento e secretário executivo do Sindilat/RS.
Segundo ele, o Milk Summit oferecerá uma manhã de atividades que funcionará como uma amostra da experiência completa do evento, intercalando momentos de relacionamento, conteúdo técnico e reconhecimento.
A programação inicia com credenciamento e milk break, criando um espaço para networking. Em seguida, Valter Galan, do Milkpoint, abordará os cenários e tendências do mercado leiteiro.
O amplo diálogo entre os representantes do setor ocorrerá durante a mesa-redonda, com participação da Emater, Senar, Sebrae, FecoAgro, Gadolando, Gado Jersey, Fazenda San Diego e Milkpoint. Eles debaterão o papel das instituições no fortalecimento do setor, com mediação de Darlan Palharini.
Encerrando as atividades, ocorrerá a premiação aos produtores de leite de Ijuí, promovida pela prefeitura. Segundo a Emater, o município é o maior fornecedor de leite cru para industrialização no Rio Grande do Sul, com 741,9 milhões de litros por ano e mais de 157 mil vacas leiteiras. O Valor Bruto da Produção (VBP) local é de R$ 2,03 bilhões anuais.
A realização do Milk Summit Brazil 2025 é da Secretaria da Agricultura do Estado do Rio Grande do Sul, FecoAgro/RS, Sindilat/RS, Emater, Suport D Leite, Impulsa Ijuí e Prefeitura de Ijuí. Acompanhe as novidades do evento pelo Instagram: @milksummitbrazil.



