
A cesta básica em Pelotas apresentou, no mês de maio, uma redução de 1,64% nos valores em comparação ao mês de abril, segundo levantamento divulgado pelo Procon. O valor total dos 51 itens pesquisados caiu de R$ 1.319,99, em abril, para R$ 1.298,38, em maio. A baixa nos preços, contudo, não alivia o bolso dos consumidores, que ainda sentem os efeitos dos aumentos acumulados nos últimos meses.
Em março, por exemplo, a cesta básica subiu 5,11%, alcançando R$ 1.356,51 — uma diferença de apenas R$ 161,49 em relação ao salário mínimo nacional. “A inflação de alimentos no ano passado foi de 7,7%, um índice bastante alto. E ela continuou se mantendo elevada neste ano. A partir disso, surge a proposta do governo de zerar o ICMS da cesta básica”, comentou Marcelo Passos, professor e pesquisador do mestrado e doutorado em Economia da Universidade Federal de Pelotas (UFPel).

Para o economista, zerar o Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) da cesta básica pode parecer uma medida de alívio rápido, mas que, na prática, não se mostra eficaz para a redução dos preços dos alimentos essenciais. “Na verdade, quando a gente reduz o ICMS, compromete-se a arrecadação dos estados, o que enfraquece os entes federativos e ameaça os serviços que prestam, como educação, saúde e outros”, explicou.
A pesquisa mensal de preços do Procon Pelotas apontou que, mesmo com a queda geral, alguns produtos registraram aumentos expressivos. Entre os 17 itens que subiram de preço, destacam-se a cenoura (105,01%), a massa com ovos (38,21%) e o presunto magro fatiado (31,47%).
Por outro lado, 32 produtos apresentaram queda nos preços, com destaque para a cebola, que teve redução de 61,04%. A cerveja (473 ml) caiu 48,43%, seguida pela alface (-36,04%), batata inglesa (-35,23%) e laranja (-27,12%).
O Procon também divulgou o custo da ração essencial, cálculo baseado na metodologia do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), composta por 13 itens necessários para suprir a alimentação de uma pessoa durante um mês. Em maio, o valor da ração essencial no município foi de R$ 617,93, o que representa uma queda de 2,82% em relação ao mês anterior, quando o custo era de R$ 635,85.
Adaptação aos preços
Para a cabeleireira Marta Paz, produtos como óleo de soja, feijão e leite continuam sendo os mais caros.
“Sempre se deixa alguma coisa de lado ou se troca por outra. Se tiver um produto mais barato, a marca não importa, desde que a qualidade seja boa”, avalia. Segundo ela, a principal estratégia é pesquisar os preços, embora muitas vezes não compense, por conta dos gastos com locomoção e da dificuldade de conciliar os horários de promoções com a rotina de trabalho.
Comerciantes enfrentam dificuldades em repassar aumento dos custos
O impacto dos preços dos alimentos também é sentido por comerciantes que atuam diretamente na produção de itens essenciais. Luís Fernando Porto, proprietário da Padaria Doce Real, que conta com produção própria, relatou os desafios enfrentados com a alta dos insumos.
“Os custos dos produtos subiram muito. Se repassássemos tudo para os preços finais, muitos itens se tornariam inviáveis para nossos clientes, o que derrubaria as vendas e o faturamento diário”, disse.
Segundo Porto, o desafio é equilibrar os custos operacionais, como folha de pagamento e impostos, com a necessidade de manter os preços atrativos. Para isso, a margem de lucro acaba sendo reduzida, e o comerciante busca alternativas como negociações por volume ou promoções com fornecedores, na tentativa de manter a operação viável.



