Maiores cidades da região tentam reverter baixa cobertura vacinal

A secretaria terá equipes nos dois shoppings da cidade - Praça e Partage – e, também, na Fest Lagoa. (Foto: Michel Corvello)

O Rio Grande do Sul está em emergência em saúde pública devido a Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG), complicação resultante de uma infecção viral, como a gripe e a Covid-19. De acordo com dados da 3ª Coordenadoria Regional de Saúde (3ª CRS), já houve desde o início do ano 5.948 hospitalizações por causa da síndrome em 2025, sendo que 1.606 pacientes precisaram de Unidades de Tratamento Intensivo (UTIs) e 443 pessoas morreram em todo o estado. A principal forma de prevenção é a vacinação, porém a adesão à vacina está muito abaixo do esperado, especialmente no sul do estado, o que obriga as prefeituras a adotarem medidas emergenciais e especiais para tentar reverter o quadro.

As primeiras doses da vacina contra a gripe começaram a ser aplicadas na região de cobertura da 3ª CRS em abril, mas até esta semana apenas 155,3 mil pessoas haviam sido imunizadas, o que representa somente 35,73%, enquanto a meta é alcançar 90% de cobertura.

Em Pelotas, 57,1 mil doses foram aplicadas e a cobertura é de apenas 33,46%, enquanto em Rio Grande, foram 38,4 mil aplicações e a cobertura é de 40,06%. Canguçu tem tido, até agora, o melhor desempenho entre as maiores cidades com 15 mil doses aplicadas e 48,64% da cobertura.

O número reduzido de pessoas vacinadas se reflete no aumento de atendimentos e internações por doenças respiratórias e complicações causadas por elas. Dados da Prefeitura de Pelotas indicam um aumento de 75% no número de usuários atendidos por SRAG no Pronto Socorro entre abril e maio deste ano. Em 2024, o aumento de atendimentos no mesmo período foi de apenas 23%. Na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) o crescimento de abril para maio foi de 93% em 2025 contra 70% no mesmo período no ano passado.

Quanto a hospitalizações, conforme informações da Secretaria de Saúde do RS, 28 foram em Pelotas, com 20 pacientes de UTI; 62 em Rio Grande, sendo que 22 passaram por tratamento intensivo; e seis em Canguçu, sendo que metade precisou de UTI. A situação crítica levou a Prefeitura de Pelotas a decretar emergência em saúde pública para o enfrentamento da SRAG.

Mitos sobre a vacina contra a gripe

A doutora em Ciências Pneumológicas e professora da Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Pelotas (UFPel), Silvia Macedo explica que um dos motivos da baixa procura é a propagação de mitos envolvendo o imunizante. O mais comum é de que a vacina causaria a doença. O fato é desmentido pela médica. “Os gráficos mostram claramente que a aplicação da vacina da gripe para a população acima de 60 anos está associada a queda das internações por pneumonias”, diz.

A professora explica que a vacina contém “pedaços” do vírus, que estimulam o sistema imunológico a se proteger e não o vírus vivo. No entanto, esta reposta imunológica pode gerar algum desconforto leve em algumas pessoas, como dor de cabeça e febre baixa, mas isto não é gripe.

“Às vezes, também ocorre da pessoa quando se vacina já estar com algum outro vírus no seu sistema respiratório, e ter sintomas de resfriado em função disso”, comenta.

Para a professora a melhora da adesão passa pela educação e a informação para desmistificar as vacinas. “Vacinas salvam vidas e a história, inclusive bem recente como na pandemia da Covid-19, nos mostra isto”.

Onde se vacinar

Em Pelotas, há mais de 50 pontos de vacinação, entre eles 12 Unidades Básicas de Saúde (UBS) da zona rural, 38 UBS da zona urbana, o Ambulatório da Universidade Católica de Pelotas (com horário estendido até 20h), o Ambulatório UFPel, a Casa da Vacina e um ponto de vacinação na Faculdade Anhanguera (das 17h às 21h). Todos funcionando de segunda a sexta-feira. A Secretaria de Saúde tem adotado, ainda, ações de vacinação em, por exemplo, hospitais, clínicas e escolas (para servidores e professores). No dia 14 acontece o Dia “D” da Vacinação.

Em Rio Grande, a Prefeitura está com estratégias em alguns pontos na cidade, como no Largo Doutor Pio e rua Henrique Pancada, no final de semana, em horário diurno; os shoppings, das 16h até 21h; em todas as UBSs  e suas extensões.

Em Canguçu, teve a realização do Dia D de Vacinação, também aplicações extramuros e verificação de carteirinhas nas escolas.