
Quem chega ao Hospital Dr. Ernesto Maurício Arndt (Hoema) logo nota uma ausência: a cruz, que se tornou símbolo da instituição, e ornamentava há pelo menos 30 anos o canteiro central da rua em frente à instituição de saúde. Um acidente, em agosto do ano passado, causado por manobra de um caminhão que entregava equipamentos, destruiu totalmente a cruz feita de ferro armado e concreto, que já estava em condições de deterioração. Uma nova cruz, nas mesmas dimensões e vazada, com luz de lead e mais resistente, já está sendo providenciada pela direção do Hospital, que vê no fato algo a lamentar, mas também o vislumbre de uma nova fase em que o antigo dá lugar ao novo e moderno.
E é com este espírito de renovação e modernidade que a instituição espera ainda no mês de maio, em que Morro Redondo completa 37 anos de emancipação, dar início às internações clínicas – uma aspiração que começou a ser construída há cerca de três anos e que está com o projeto concluído e aprovado pela Secretaria Estadual de Saúde e Vigilância Sanitária, mas que ainda aguarda a liberação para começar a receber os primeiros pacientes. “Queremos dar este presente à comunidade do Morro Redondo e evitar, assim, a necessidade de deslocamento para municípios vizinhos”, destaca o diretor-presidente da instituição, Altair Faes. Segundo ele, o hospital deve atender não apenas pacientes do município, mas também de todo o seu entorno – somando de 15 a 20 mil pessoas.
Sem realizar internações desde 2017, as instalações do hospital passam por obras de revitalização desde 2020, quando a neta do fundador, Liane Arndt, assumiu a diretoria administrativa da instituição. As reformas ganharam força a partir de outubro de 2022, quando foi protocolado junto à 3ª Coordenadoria Regional de Saúde o projeto Assistencial e Arquitetônico para a reabertura de 30 leitos clínicos.
Fundada em dezembro de 1957, a instituição presta atualmente apenas serviços ambulatoriais e de Pronto Atendimento de urgência e emergência. Os recursos para a obra e aquisição de equipamentos contaram com o auxílio da comunidade e de emendas parlamentares.
Em compasso de espera, a direção da casa está em contato permanente com a 3ª Coordenadoria para resolver qualquer pendência que surja, a fim de liberar o mais breve possível o alvará de funcionamento. Estão prontos 24 leitos, 23 de enfermaria e um de isolamento. “Nós temos ainda dois quartos na ala do Pronto Atendimento que queremos habilitar”, diz a diretora Financeira Elisa Arndt. Com o afastamento temporário de Liane da direção, Elisa, que é bisneta do fundador, ao lado da também bisneta Aline Arndt, diretora de Recursos Humanos, são responsáveis pela administração geral do hospital, juntamente com Faes.
Segundo Elisa, com as obras de adequação, mudanças nas exigências em relação aos leitos e mobiliário maior, os quartos que eram de seis leitos receberam cinco e os de cinco leitos ficaram com quatro. “Em breve, queremos construir mais uma ala com mais quartos e, quem sabe, o nosso bloco cirúrgico, que é um sonho antigo”, almeja. A diretora financeira ressalta ainda que foi levado em consideração e de forma rigorosa durante o planejamento de toda a obra as determinações da legislação vigente – sempre considerando o bem-estar e o conforto do paciente e seu acompanhante.
Elisa destaca ainda a natureza que circunda o hospital, com áreas verdes e excelente orientação solar para recuperação dos pacientes. “A tendência é melhorar cada vez mais esse entorno com bancos e área de convivência para quem aqui estiver”, garante. Por ser privada, a instituição possui convênios com o Estado e o município para o Pronto Atendimento aos mais de seis mil moradores de Morro Redondo.
No entanto, atende quatro vezes mais o que recebe pela grande procura de pacientes de outros municípios, como Pedro Osório, Cerrito, Canguçu e Capão do Leão, e localidades de Pelotas, como Colônias Maciel e Cascata. “Atendemos muito mais do que o nosso contrato, mas não há como negar atendimento”, salienta.



